GOVERNADOR VALADARES (MG) — A Polícia Civil de Minas Gerais investiga a criação e o compartilhamento de imagens íntimas falsas de alunas de um colégio particular produzidas com o uso de inteligência artificial (IA). Os arquivos, de cunho sexual, envolvem adolescentes menores de idade e teriam sido compartilhados por quatro estudantes da própria instituição em um grupo privado de mensagens.
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As investigações tramitam sob sigilo para preservar a identidade dos menores.
Em nota, o Colégio Genoma informou que instaurou um processo administrativo interno, determinou o afastamento preventivo dos alunos investigados e ofereceu acolhimento às estudantes afetadas. A instituição afirmou que não divulgará detalhes do caso por envolver adolescentes.
Uma das vítimas relatou ao Estadão que as imagens foram descobertas por outras alunas após elas terem acesso ao celular de um dos estudantes. Inicialmente, acreditava-se que o grupo continha apenas material pornográfico encontrado na internet, mas foi constatado que as imagens haviam sido manipuladas por inteligência artificial para inserir os rostos de colegas da escola.
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que os envolvidos podem responder por cyberbullying e pelo crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de simular a participação de crianças e adolescentes em cenas de conteúdo pornográfico por meio de montagem ou adulteração de imagens. A pena prevista é de um a três anos de reclusão, além de multa.
A advogada especialista em Direito Digital Patrícia Peck destacou que o fato de as imagens serem falsas não elimina os danos causados às vítimas, já que a manipulação viola direitos como honra, imagem, privacidade e integridade psicológica.
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