Três policiais civis são presos por suspeita de extorquir comerciantes em São Gonçalo

Redação
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SÃO GONÇALO — Três policiais civis foram presos nesta sexta-feira (4), suspeitos de integrar um esquema que utilizava viaturas, uniformes e armas da própria Polícia Civil para extorquir empresários dos setores de sucata, ferro-velho, reciclagem e depósitos de resíduos em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

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Uma quarta pessoa, apontada pela investigação como um homem que se apresentava como policial e atuava junto aos agentes, também foi presa.

A operação foi realizada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil em conjunto com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ). Além das prisões, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços de São Gonçalo e Niterói.

Corregedor Alexandre Capote e o promotor Michel Queiroz atuaram na investigação – Foto: Carlos Elias Junior/Agência O DIA

Durante as buscas, foram encontrados R$ 35 mil e uma arma de fogo na residência do homem que, segundo as autoridades, se apresentava como policial.

Cobrança teria começado em R$ 300 mil

De acordo com a denúncia do Ministério Público, os três policiais abordavam estabelecimentos sob o pretexto de realizar fiscalizações e apontavam supostas irregularidades administrativas ou ambientais.

Em uma abordagem ocorrida em 19 de agosto, os agentes teriam exigido inicialmente R$ 300 mil para que uma empresa não fosse prejudicada.

Diante da recusa, segundo a investigação, a cobrança teria sido reduzida para R$ 100 mil, divididos em três parcelas, além de pagamentos mensais de R$ 800.

Naquele mesmo dia, a vítima transferiu R$ 25 mil para a conta de um dos denunciados, apontado pelo MPRJ como responsável por dar suporte financeiro ao esquema.

Os investigadores afirmam não ter encontrado ordem de serviço, registro de ocorrência ou outra formalização que justificasse a suposta fiscalização realizada pelos agentes.

Outra empresa teria recebido cobrança de R$ 20 mil

Em outro episódio investigado, os policiais teriam abordado um caminhão e acompanhado o veículo até o depósito de uma empresa.

No local, teriam se apresentado como integrantes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e solicitado R$ 20 mil aos responsáveis pelo estabelecimento.

Após serem informados de que a empresa não possuía a quantia, o valor teria sido reduzido para R$ 15 mil. Nesse caso, segundo as investigações, nenhum pagamento foi realizado.

Para o MPRJ, o uso de viaturas oficiais, uniformes e armamento ajudava a conferir aparência de legalidade às abordagens e criava um ambiente de intimidação contra os comerciantes.

Policiais eram lotados em Alcântara

Segundo o corregedor-geral da Polícia Civil, Alexandre Capote, os três agentes investigados eram lotados na 74ª DP (Alcântara) e realizavam fiscalizações clandestinas para obter vantagens financeiras de empresários.

A investigação teve início a partir de uma denúncia anônima e posteriormente reuniu outros elementos, como depoimentos de vítimas e testemunhas, reconhecimentos fotográficos, imagens de câmeras de segurança e comprovante de transferência bancária.

A Corregedoria apura relatos de episódios semelhantes em outros estabelecimentos da região. Segundo Capote, até o momento, aproximadamente quatro vítimas foram identificadas.

Um advogado também é investigado por possível participação no grupo e teve endereço incluído nas buscas.

Os três policiais presos optaram por permanecer em silêncio durante os depoimentos. As investigações continuam para determinar a extensão das cobranças e identificar outras possíveis vítimas.

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