RIO DE JANEIRO (RJ) — O trabalho por aplicativos ganhou quase meio milhão de profissionais em apenas três anos no Brasil. Dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de pessoas que dependem das plataformas digitais como atividade única ou principal passou de 1,3 milhão, em 2022, para 1,8 milhão em 2025.
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A expansão foi de 36,8% no período. Somente entre 2024 e 2025, o número de trabalhadores nessa condição aumentou 9,1%.
Os dados fazem parte da terceira edição da pesquisa Trabalho por meio de plataformas digitais, realizada pelo IBGE em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho (MPT).
A participação desses profissionais no mercado de trabalho também aumentou. Em 2022, correspondiam a 1,5% dos trabalhadores ocupados no setor privado. A proporção chegou a 1,9% em 2024 e alcançou 2% em 2025, considerando um universo de 89,6 milhões de ocupados.
Quase 2 milhões trabalham por aplicativos
Pela primeira vez, o levantamento também contabilizou pessoas que utilizam as plataformas digitais como atividade secundária, o chamado “bico”.
Quando esse grupo entra na conta, o total chega a 1,96 milhão de brasileiros.
A grande maioria, porém, depende das plataformas em sua ocupação principal: 92,1% dos trabalhadores identificados. Outros 182 mil utilizam os aplicativos em uma segunda atividade profissional.
O Sudeste concentra mais da metade desse contingente. São aproximadamente 1,08 milhão de trabalhadores, equivalentes a 55,3% do total nacional.
Motoristas passam de 1 milhão
Os aplicativos de transporte particular de passageiros continuam concentrando a maior quantidade de trabalhadores.
Em 2025, cerca de 1,036 milhão de pessoas atuavam nesse segmento, que inclui motoristas ligados às plataformas de mobilidade e taxistas. Em 2022, eram 752 mil.
O crescimento em três anos foi de 37,8%.
Entregas disparam em um ano
Embora os motoristas sejam maioria, o setor de entregas de alimentos e produtos registrou uma forte aceleração no último ano pesquisado.
O número de trabalhadores passou de 237 mil em 2022 para 274 mil em 2024. Em 2025, saltou para 325 mil, avanço de 18,6% em apenas um ano.
Já na comparação entre 2022 e 2025, o maior crescimento proporcional ocorreu entre os trabalhadores que oferecem serviços gerais ou profissionais por plataformas.
O contingente passou de 193 mil para 300 mil pessoas, uma alta de 55,4% em três anos.
Essa categoria inclui atividades variadas, como faxina, cuidados pessoais, reformas e reparos, além de profissionais que prestam serviços pela internet nas áreas de engenharia, arquitetura, tradução, redação, tecnologia da informação, programação, design, serviços jurídicos e saúde.
Apesar do crescimento, o IBGE aponta que o mercado brasileiro de trabalho por plataformas permanece concentrado principalmente nas atividades de transporte de passageiros e entregas.
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