Praça da República vive abandono e tem futuro incerto

Redação
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Mesmo sendo uma das maiores áreas verdes do Centro de Campos, a Praça da República permanece com pouca utilização e sinais de abandono. Em apuração ao longo da última semana, a reportagem encontrou apenas uma entrada aberta, pela Rua Saldanha Marinho, veículos estacionados, nenhum frequentador e movimento de alunos de um centro de educação para jovens e adultos, que funciona dentro do espaço.

O cenário contrasta com a estrutura existente. Com funcionamento previsto das 8h às 22h, a praça possui quadra poliesportiva, parque infantil e pista de skate, mas somente esta última permanece em condições de uso, justamente por ser construída em concreto. O parquinho está quebrado, com madeiras espalhadas pelo chão. Assim como o que seria uma quadra poliesportiva, que inexiste. Também foram registrados calçamento quebrado, mato alto em parte do entorno, acúmulo de folhas secas e vestígios de permanência de pessoas em situação de rua, como uma cama improvisada. Os maiores frequentadores? Agentes da Guarda Civil Municipal.

Lucas Salles

Dono de um restaurante ao lado da praça há um ano, Lucas Salles, de 24 anos, afirma que o espaço praticamente deixou de fazer parte da rotina da região. “Para ser bem sincero, a praça dessa maneira não afeta em nada a gente. Eu até esqueço dela”, disse. Sobre uma possível reforma, acredita que não mudaria seu movimento comercial.

Já o lojista Luís Carlos Gaspar, de 53 anos, vê a revitalização como oportunidade para atrair consumidores. “Seria bom a Feira vir pra cá. Porque se viesse, teria um fluxo maior de gente. Para a gente seria bom”, afirmou. Ele também relata problemas de segurança e presença constante de pessoas em situação de rua. “Há um certo preconceito, nem todas as pessoas em situação de rua são ruins, mas sabemos o que faz as pessoas se afastarem. E já tivemos três furtos aqui. Então, acredito que há sempre alguma maneira de melhorar”, disse.

Projeto continua em discussão

A fala de Luís remete ao principal projeto pensado para a Praça da República nos últimos anos: a transferência da Feira Livre e da Peixaria do Mercado Municipal para o local. O projeto, até então de R$ 18,9 milhões, prevê 381 baias para feirantes, peixaria, açougues, restaurantes, praça de alimentação e estacionamento.

A proposta gerou reação de entidades como o Instituto Histórico e Geográfico de Campos, que protocolou representação no Ministério Público, alegando que a praça integra uma Área Especial de Interesse Cultural e deve ser preservada. Questionado sobre o caso, o Ministério Público não respondeu até o fechamento desta edição.

Em abril deste ano, o prefeito Frederico Paes, em entrevista ao jornalista Aloysio Balbi, afirmou que o projeto “requer maturação” devido ao alto investimento necessário. Em nota, a Prefeitura informou que o projeto está em fase de retomada pela atual gestão e que a mudança da feira atende a uma determinação judicial para retirada da estrutura instalada em frente ao Mercado Municipal. Segundo o governo, a proposta de implantação na Praça da República está sendo discutida com o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio (Coppam), destacando que a área não é tombada, embora faça parte de uma área de interesse cultural.

A administração afirma buscar uma solução que concilie a preservação do espaço, o cumprimento da decisão judicial e a manutenção da atividade de cerca de 300 famílias que dependem da feira, defendendo ainda que o projeto poderá contribuir para a revitalização do Centro, fortalecendo o comércio, a agricultura familiar e o turismo.

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