Por Leonardo Barros

Há quase 100 anos, um jogador do Americano foi convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1930. O atacante Poly, aos 21 anos, foi a surpresa da lista de convocados do técnico Píndaro de Carvalho para o primeiro mundial. O jogador foi titular na estreia oficial do Brasil em Copas, mas a campanha não foi boa, com a equipe sendo eliminada ainda na primeira fase. Porém, a história foi feita: Poly é até hoje o único representante de um clube do interior do Rio de Janeiro a disputar uma Copa do Mundo.

Nascido em Conceição de Macabu, ainda distrito de Macaé, Poly viveu uma época diferente do futebol. O esporte era amador e não havia glamour da grande imprensa. Há poucos registros fotográficos da sua participação na Copa do Uruguai. Porém, quase 100 anos depois, a torcida do Americano ainda se lembra da sua dedicação. Foram 20 anos defendendo o Alvinegro (1924 a 1944), sendo descoberto em uma partida contra o Rio Branco, clube de Macabu, quando tinha apenas 15 anos.
“Poly era filho das famílias Alfenas e Ribeiro, tradicionais da área rural ligada à criação de gado e plantação de cana. Seu destino era ser fazendeiro, médico ou advogado. Mas ele gostava de futebol. Foi à Copa numa época em que jogador não ficava milionário. Não havia muitas informações do interior na capital, mas mesmo assim chamou a atenção da Seleção. O garoto de Conceição de Macabu, do bairro Bocaina, foi à Copa do Uruguai, levando muito orgulho para a nossa cidade”, conta o professor e historiador Marcelo Abreu.
A missão Copa do Mundo

Na época que os jornais da capital não chegavam no interior e vice-versa, Poly sabia pouco dos seus adversários do Mundial. Também não tinha muitas informações da briga política entre as associações do Rio e São Paulo pelo poder da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que levou apenas os cariocas para o Mundial. A exceção foi o paulista Araken, que se juntou a jogadores conhecidos na época como Preguinho (Fluminense), Fausto (Vasco) e Carvalho Leite (Botafogo), por exemplo.
Alheio às confusões e desafios, Poly fez a viagem de Campos para o Rio de Janeiro de trem, mas o percurso mais longo estava por vir. A delegação com 27 pessoas embarcou para o Uruguai no dia 2 de julho de 1930 no cais da Praça Mauá, no Rio. Muitas décadas antes dos aplicativos de transporte, o navio Conte Verde fez uma verdadeira “viagem compartilhada”, dando “carona” para outras seleções. Antes do Rio, o transatlântico fez um tour pela Europa para pegar os atletas da Itália, França, Bélgica, além de um trio de árbitros, dirigentes da Fifa, incluindo o presidente Jules Rimet e a taça.

Com uma logística comprometida, a pré-temporada não existiu. Os brasileiros tiveram que se exercitar no navio, sem treinos com bola e campo. Chegaram em Montevideo na véspera da estreia e foram derrotados por 2 a 1 pela Iugoslávia. Poly foi titular, superou o nervosismo e quase marcou o gol de empate no final do jogo. Trocou passes com Preguinho e chutou pro gol: bola no travessão e derrota. O jogador do Americano ficou de fora da vitória de 4 a 0 contra a Bolívia, que não foi o suficiente para classificar o Brasil para a próxima fase.

Policarpo Ribeiro de Oliveira, o Poly, voltou para o Americano depois do Mundial. Não foi mais convocado para a Seleção Brasileira, brilhando apenas no Alvinegro de Campos até 1944. Continuou morando em Campos, mas sem abandonar Conceição de Macabu. “Presenciei a sua última entrevista, em 1985, corrigindo o repórter falando que nasceu em Macabu”, lembra o professor Marcelo. Poly morreu em 13 de agosto de 1986.
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