BRASÍLIA — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), trocou de celular, chip e número de telefone na segunda semana de fevereiro deste ano, período em que a Polícia Federal já avançava na análise de aparelhos apreendidos com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
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O antigo número era utilizado pelo ministro pelo menos desde 2022 e aparece associado a contatos mantidos com Vorcaro. As comunicações identificadas pelos investigadores passaram a integrar o material da apuração que está sob análise no Supremo.
Apesar de terem encontrado registros das conversas, os investigadores não conseguiram recuperar as mensagens que teriam sido enviadas por Moraes. Para tentar localizar esse conteúdo, seria necessário examinar o aparelho utilizado pelo próprio ministro.
Segundo os elementos reunidos na investigação, parte das comunicações seguia um método que dificultava a recuperação posterior. Os textos eram escritos no bloco de notas do celular, transformados em capturas de tela e enviados pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
A PF conseguiu identificar 52 mensagens produzidas por Vorcaro dessa forma. Para reconstruir parte do conteúdo, os investigadores compararam registros de utilização do WhatsApp com dados armazenados pelo sistema do iPhone, incluindo os horários em que determinados aplicativos eram abertos e fechados.
A análise permitiu estabelecer uma sequência entre a produção das capturas de tela e o acesso à conversa mantida com Moraes. O mesmo procedimento, entretanto, dependeria da análise do telefone utilizado pelo ministro para tentar recuperar mensagens atribuídas a ele.
O contato de Moraes teria chegado a Vorcaro em 26 de dezembro de 2023, por intermédio do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. No aparelho do banqueiro, o número teria sido salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
As mensagens recuperadas pela investigação se concentram entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, antes de uma viagem aos Emirados Árabes Unidos.
Nos primeiros registros desse período, o banqueiro buscava organizar um encontro presencial com Moraes. Vorcaro também demonstrava preocupação com investigações envolvendo o Banco Master e fazia referências a integrantes do Banco Central, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.
Em uma das mensagens, de 30 de outubro de 2025, Vorcaro afirmou ter recebido informações sobre pressões para a adoção de medidas contra ele e mencionou os nomes de Andrei e Paulo. Na interpretação dos investigadores, as referências seriam ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A letra “G”, também citada na conversa, seria uma referência ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O material analisado pela PF também aponta indícios de encontros entre Vorcaro e Moraes nos dias anteriores à prisão do banqueiro. Um deles teria ocorrido em 14 de novembro de 2025, na residência de Vorcaro.
Depois do possível encontro, o banqueiro enviou uma mensagem agradecendo ao ministro e afirmou que ele, sua família, funcionários, parceiros e amigos teriam uma “dívida de vida” com Moraes e seus familiares.
Dois dias depois, em 16 de novembro, registros analisados pelos investigadores indicam que Vorcaro embarcou em um avião para outro possível encontro. Após pousar, teria informado ao ministro que seguiria diretamente para o local combinado.
Nas mensagens posteriores, Vorcaro voltou a demonstrar preocupação com uma possível ação da Polícia Federal e perguntou sobre a possibilidade de Andrei Rodrigues conseguir adiar uma medida para a semana seguinte. Pelo contexto analisado pelos investigadores, a referência seria à operação que resultaria em sua prisão no dia seguinte.
A troca do aparelho, do chip e do número por Moraes ocorreu meses depois dessas conversas, já em fevereiro de 2026, quando a PF examinava os telefones apreendidos com Vorcaro. A mudança, por si só, não demonstra tentativa de ocultação de provas, e o material apresentado não indica que o ministro tenha sido formalmente acusado de qualquer crime em razão da troca do telefone.
Alexandre de Moraes não havia se manifestado sobre o caso por meio da assessoria do STF.
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