Três brasileiros com passagem pelo tráfico de drogas afirmaram ter sido recrutados para atuar na guerra da Ucrânia e relataram suas experiências no campo de batalha. Identificados pelos apelidos de “G-S”, “Mestre” e “Predador”, eles deixaram comunidades do Rio de Janeiro para lutar ao lado das forças ucranianas no conflito contra a Rússia. Os relatos foram divulgados durante entrevista exibida no último domingo.
Atraídos pela promessa de remuneração em moeda estrangeira e pela possibilidade de recomeçar a vida longe da criminalidade, os três brasileiros afirmam que encontraram o recrutamento por meio das redes sociais e viajaram legalmente para a Europa após obterem passaporte e documentação necessária.

Segundo os entrevistados, a decisão de ingressar no conflito foi motivada por diferentes razões. “Predador”, que entrou para o tráfico ainda na adolescência e chegou a ser preso, afirmou que enxergou na guerra uma oportunidade de mudar de vida. Já “G-S”, de 24 anos, disse que decidiu abandonar a facção criminosa para fugir da violência constante vivida nas comunidades cariocas.
Os brasileiros relatam que a realidade enfrentada no território ucraniano é significativamente mais perigosa do que os confrontos armados vivenciados no Brasil. De acordo com eles, os drones militares representam atualmente uma das maiores ameaças no campo de batalha, devido à capacidade de monitoramento e ataque em tempo real.
Durante a entrevista, um dos combatentes contou ter participado de operações de resgate em áreas atingidas por bombardeios, enfrentando riscos constantes provocados por minas terrestres e ataques aéreos. “Predador” definiu a experiência como um cenário extremo de sobrevivência. “Lá é o verdadeiro inferno”, afirmou.
Os contratos oferecidos aos estrangeiros têm duração de seis meses e incluem remuneração mensal estimada entre R$ 7 mil e R$ 8 mil, além de alojamento e alimentação. Apesar das dificuldades, os entrevistados afirmam que pretendem retornar ao Brasil após o período de serviço, utilizando os recursos obtidos para reconstruir suas vidas e se afastar definitivamente da criminalidade.
Dados do Ministério das Relações Exteriores indicam que 31 brasileiros morreram e outros 67 estão desaparecidos desde o início da guerra da Ucrânia. Especialistas alertam que a participação de cidadãos brasileiros em conflitos armados estrangeiros pode gerar implicações legais, uma vez que a legislação nacional impõe restrições a esse tipo de atuação.
Mesmo diante dos riscos e das incertezas do conflito, os três brasileiros afirmam manter o objetivo de voltar ao país, investir os recursos conquistados durante a missão e buscar uma nova trajetória longe do crime.
