CARACAS (VENEZUELA) — O cenário é de desespero nas ruas da capital venezuelana após dois fortes terremotos atingirem o país na noite de quarta-feira (24). Entre prédios destruídos e montanhas de concreto, familiares procuram por desaparecidos enquanto equipes de resgate trabalham na esperança de encontrar sobreviventes.
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Em frente às ruínas de um edifício residencial de pelo menos 22 andares, no complexo Petúnia, no bairro de Los Palos Grandes, uma mãe gritava repetidamente pelo filho.
“Antonio, Antonio, sou eu, sua mãe. Antonio, sou eu, sua mãe, estou aqui”, dizia, na tentativa de ser ouvida entre os escombros.
Outras pessoas também chamavam por parentes desaparecidos.
“Tania, Tania”, gritava outro morador enquanto voluntários escalavam os destroços tentando ouvir algum pedido de socorro.
Sem equipamentos adequados, moradores passaram a ajudar nas buscas.
“Precisamos de lanternas”, pediu um dos voluntários ao anoitecer, enquanto dezenas de pessoas aguardavam a chegada das equipes especializadas de resgate.

Sem equipamentos adequados, moradores passaram a ajudar nas buscas.
“Precisamos de lanternas”, pediu um dos voluntários ao anoitecer, enquanto dezenas de pessoas aguardavam a chegada das equipes especializadas de resgate.
Segundo as autoridades venezuelanas, os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 foram registrados com poucos minutos de diferença e provocaram destruição em diversas regiões do país. Até a última atualização, a presidente interina Delcy Rodríguez confirmou ao menos 164 mortos e 971 feridos, números que ainda podem aumentar conforme as buscas avançam.
Os tremores foram sentidos desde os Andes venezuelanos até o litoral, além de alcançarem países vizinhos, como Colômbia e Brasil. Considerado o maior terremoto registrado na Venezuela em mais de um século, o abalo também trouxe à memória a tragédia de 1967, quando outro forte terremoto matou 236 pessoas no país.
O pânico tomou conta de Caracas. Em um dos maiores centros comerciais da cidade, centenas de pessoas deixaram o local às pressas.
“Tudo começou a se mover como se estivéssemos na água, como ondas. Foi horrível”, relatou a bancária Odalis Escalona, de 54 anos.
A moradora Zenia González, de 52 anos, contou que precisou esperar o tremor diminuir antes de conseguir sair do prédio.
“Esperamos passar o terremoto e descemos correndo a escada rolante. Tivemos que esperar porque estava tremendo muito. Durou bastante tempo”, afirmou.
Em outro bairro da capital, a engenheira María Romero, de 48 anos, descreveu o momento em que deixou seu apartamento.
“Estava tremendo violentamente e parecia um rugido profundo. Por um segundo pensei em me esconder debaixo da mesa, mas decidi sair. Subi em um banco e pulei o muro do meu apartamento, que ficou com várias paredes rachadas”, contou.
Enquanto as buscas continuam, familiares permanecem ao lado dos escombros na esperança de reencontrar seus parentes com vida.
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