CABO FRIO (RJ) — A mãe do menino de 10 anos que acionou a Patrulha Maria da Penha com emojis de choro e a mensagem “N posso falar” é acompanhada pelo programa desde dezembro de 2024, em Cabo Frio. A mulher possui uma medida protetiva de urgência e tinha acesso a um canal direto de comunicação com a equipe pelo WhatsApp.
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Segundo a Prefeitura de Cabo Frio, a mulher é assistida pela Patrulha devido a um histórico de violência doméstica. A família também recebe acompanhamento do Conselho Tutelar.
O telefone utilizado pela criança na noite de terça-feira (25) é um canal institucional disponibilizado às mulheres acompanhadas pelo programa. O número permite que as assistidas comuniquem diretamente à equipe situações de risco ou possíveis violações das determinações judiciais.
Foi por esse contato, salvo no celular da mãe, que o menino conseguiu alertar os agentes após o ex-companheiro dela aparecer na residência, apesar da medida protetiva em vigor.
A criança inicialmente enviou apenas um ponto de interrogação. Em seguida, mandou emojis de choro e escreveu “N posso falar”. Áudios encaminhados pelo menino também permitiam ouvir, segundo a corporação, a presença de um homem no imóvel.
Diante das mensagens, os agentes foram ao endereço cadastrado e localizaram o ex-companheiro. Ele foi levado à delegacia e preso por descumprimento de medida protetiva.
Segundo a delegada Aline Villas Boas, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Cabo Frio, após os procedimentos, a mulher e os filhos retornaram para casa em segurança.
Como funciona a Patrulha Maria da Penha
A Patrulha Maria da Penha é um grupamento especializado da Guarda Civil Municipal, ligado à Secretaria de Segurança e Ordem Pública. O trabalho é dividido entre o atendimento de emergências e o acompanhamento de mulheres que possuem medidas protetivas.
Quando uma medida é recebida, a equipe entra em contato com a vítima, apresenta o programa e oferece acompanhamento. Mulheres que possuem medidas protetivas em vigor e moram em Cabo Frio podem participar, inclusive quando a decisão judicial foi expedida em outro município.
As mulheres acompanhadas recebem o telefone institucional da Patrulha, que também consta na medida protetiva. Pelo WhatsApp, é possível comunicar diretamente situações de risco e possíveis descumprimentos.
O acompanhamento também inclui visitas presenciais, monitoramento remoto, rondas preventivas e contatos periódicos. Nos casos em que a mulher muda de município, a equipe busca articulação com serviços de outras cidades para dar continuidade à proteção.
Para situações emergenciais, qualquer pessoa pode acionar a Guarda Civil Municipal pelo telefone 153, disponível 24 horas por dia.
Mais de 3 mil atendimentos em três anos
Segundo a Prefeitura, nos primeiros três anos de atuação, a Patrulha Maria da Penha realizou mais de 3 mil atendimentos, recebeu mais de 2,3 mil medidas protetivas e efetuou 63 prisões de agressores em Cabo Frio.
Os encaminhamentos à delegacia por descumprimento de medidas protetivas cresceram 60% no primeiro semestre de 2026.
Entre janeiro e junho, foram 24 registros, contra 15 no mesmo período de 2025. Ao todo, a Patrulha acompanhou 183 ocorrências nos primeiros seis meses deste ano.
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