CABO FRIO — O vice-prefeito de Cabo Frio, Miguel Alencar, afirmou que ele e a esposa foram alvo de ameaças de morte enviadas por meio do WhatsApp. O caso foi registrado na Polícia Civil, sob o número 126-04074/2026, e deve ser encaminhado também a autoridades do Estado do Rio de Janeiro.
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Em pronunciamento, Miguel Alencar disse que decidiu tornar a situação pública após meses de silêncio e diante da gravidade das mensagens recebidas.
“Eu e minha esposa recebemos ameaças de morte. Durante esse tempo, resolvi ficar em silêncio, mas existem situações que simplesmente não podem ser ignoradas”, afirmou o vice-prefeito.
Segundo Miguel, os ataques ultrapassaram o campo político e passaram a atingir diretamente sua família.
“Nos últimos meses, vi coisas que eu jamais imaginei ver e viver na política de Cabo Frio. O debate político deu lugar a algo muito pior: ataques pessoais que ultrapassaram todos os limites da política e atingiram a minha família”, declarou.
As mensagens ameaçadoras foram enviadas por números desconhecidos e, segundo o vice-prefeito, mostram um nível de intimidação considerado grave. Em uma das conversas, o autor das mensagens afirma estar acompanhando a rotina de Miguel.
“Já tô ligado no seu dia a dia. Tô só te observando. Sei tudo que você faz”, diz uma das mensagens exibidas pelo vice-prefeito.


Em outro trecho, a ameaça se torna ainda mais direta.
“Se ficar nessa, vai ter banho de sangue nessa porra. O papo já foi dado”, escreveu o autor da intimidação.
A esposa de Miguel Alencar também teria sido alvo das ameaças. Em uma das mensagens, uma pessoa orienta que ela fale com o marido e afirma que a situação poderia “dar merda” caso ele continuasse com determinados posicionamentos.
“Se você ama seu marido, dá uns conselhos pra ele. Vai ter banho de sangue nessa cidade”, diz uma das mensagens atribuídas ao caso.
Em outro trecho, o autor escreve:
“Miguel, não quero você criando confusão nem se metendo. Fica quieto no seu canto. O aviso tá dado”.
Diante do teor das mensagens, Miguel Alencar afirmou que decidiu registrar boletim de ocorrência e procurar as autoridades.
“Diante da gravidade da situação, registramos o boletim de ocorrência”, disse.
O vice-prefeito também relatou que conversou com uma pessoa que, segundo ele, considerava amiga, para tentar entender a origem das ameaças. A resposta, de acordo com Miguel, aumentou ainda mais a preocupação.
“Eu também fiz questão de conversar com uma pessoa que durante muito tempo eu considerava um amigo. E a resposta que eu ouvi é que aquilo poderia ter partido do próprio grupo político”, afirmou.
A declaração abriu uma nova crise nos bastidores da política de Cabo Frio, já marcada por disputas internas, rompimentos e movimentações de grupos que tentam se reposicionar no cenário municipal e estadual.
Segundo Miguel Alencar, diversas situações contribuíram para que ele se afastasse de parte do atual momento político da cidade. Ele também afirmou que houve tentativa constante de distorcer fatos e criar narrativas contra ele.
“Diversas situações contribuíram para que eu me afastasse desse momento político. A tentativa constante de distorcer os fatos, infelizmente, passou a fazer parte da política de Cabo Frio”, disse.
O vice-prefeito afirmou ainda que o episódio fez com que ele percebesse que havia algo errado na condução política local.
“Foi nesse momento que eu percebi que algo estava muito errado na atual política de Cabo Frio”, declarou.
Apesar das ameaças, Miguel Alencar disse que não pretende recuar de suas convicções nem mudar seus posicionamentos.
“Se alguém imaginou que eu ia mudar meus posicionamentos ou recuar das minhas convicções, se enganou. Eu sou de Cabo Frio, eu amo a minha cidade e vou continuar defendendo aquilo que eu acredito”, afirmou.
As mensagens serão analisadas pela Polícia Civil, que deverá apurar a origem dos números, os responsáveis pelos envios e se há participação de terceiros na intimidação.
A investigação também deve avaliar se as ameaças têm ligação com o ambiente político de Cabo Frio ou com articulações no Estado do Rio de Janeiro.
O caso amplia a tensão política no município e levanta um alerta sobre o uso de ameaças, intimidações e ataques pessoais como instrumento de pressão nos bastidores do poder.
Para Miguel Alencar, o episódio precisa ser tratado com seriedade pelas autoridades e pela sociedade.
“Agora eu deixo uma pergunta para vocês: é essa cidade que nós queremos?”, questionou.
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