Vendaval expõe despreparo do RJ para enfrentar um super El Niño

Redação
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O devastador vendaval que atingiu diversos municípios dos estados do Rio de Janeiro e na última quarta-feira fez mais do que arrancar árvores, destelhar casas e interromper serviços essenciais. O fenômeno — impulsionado por um evento de forte intensidade do El Niño — serviu como um duro e preocupante teste para as autoridades dos três níveis de governo. E o resultado, a julgar pelo caos instalado e pelas três mortes confirmadas no Rio, foi de reprovação.
Para a população, as rajadas superiores a 100 km/h foram uma amostra amedrontadora do que a crise climática reserva para os próximos meses. Para o poder público, deveriam funcionar como um alerta urgente. No entanto, o que se viu nas ruas foi a repetição de velhos gargalos: sistemas de comunicação ineficientes e respostas operacionais lentas.
Alertas atrasados e sem dimensão do perigo.

Um dos pontos mais críticos da crise foi a falha na comunicação com os cidadãos,  onde a situação foi ainda mais grave. O aviso oficial só começou a circular às 16h41, quando os ventos furiosos já varriam o estado. Além do atraso, a mensagem enviada aos fluminenses, não refletia a real dimensão e gravidade da tempestade que se aproximava, pegando milhares de pessoas de surpresa em praias, vias públicas e transportes.
Embora especialistas reconheçam que vendavais com essa dinâmica em pleno inverno são atípicos e difíceis de prever com longa antecedência, o envio de notificações quando a população já está no meio da ventania anula a principal função de um sistema de defesa civil: a prevenção. Na baixada Fluminense, os avisos acabam chegando, quando de fato já até passou a chuva ou está no meio dela. Um erro gravíssimo. 

Caos urbano e apagão prolongado

Se a prevenção falhou, a resposta ao transtorno nas horas seguintes tampouco esteve à altura do desafio. Na Região Metropolitana do Rio, o cenário pós-ventania foi de desordem generalizada:

A mobilidade ficou travada, onde trens e metrôs tiveram a circulação interrompida, sinais de trânsito apagaram e a ausência de agentes para orientar o tráfego travou cruzamentos cruciais.
Enquanto pontos da Zona Sul do Rio tiveram o fornecimento restabelecido com rapidez, vastas áreas da periferia e da Baixada Fluminense mergulharam no escuro. Na manhã seguinte ao temporal, cerca de 500 mil clientes continuavam sem luz no estado — um contingente populacional equivalente ao de todo o município de Niterói.

Moradores ilhados: Casos de pessoas presas em elevadores e sem assistência imediata multiplicaram-se por diversos bairros.
Mudança climática não pode servir de álibi

É inegável que ventos repentinos e de força extrema representam um desafio complexo para qualquer metrópole do mundo. No entanto, a imprevisibilidade do clima tem sido usada com frequência excessiva pelas autoridades como uma justificativa conveniente para esconder a fragilidade de políticas públicas básicas.

Não é possível impedir que rajadas de vento violentas aconteçam, mas é dever do Estado estabelecer protocolos preventivos e eficientes: remanejamento rápido de equipes para desobstrução de vias, planos de contingência para o trânsito e cobrança severa sobre as concessionárias de energia elétrica para o rápido restabelecimento da luz.
O “Super El Niño” mostrou suas garras. Resta saber se os governantes continuarão a tratar tragédias anunciadas como meras surpresas da natureza.
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