O ASSUNTO PROIBIDO DA ELEIÇÃO? Transporte público da Região dos Lagos passa ileso no debate político de 2026
Tem uma coisa que vem chamando minha atenção nessa eleição de 2026: todo mundo critica alguma coisa, menos o transporte público da Região dos Lagos.
E olha que assunto não falta.
A Prolagos já foi alvo de críticas de políticos. A CCR ViaLagos também vive entrando no radar eleitoral, principalmente por causa de pedágios. Quando o assunto é água ou estrada, sempre aparece um candidato pronto para pegar o microfone e prometer investigação, CPI, revisão de contrato e tudo mais.
Mas quando chega na Salineira, o silêncio é ensurdecedor.
Uma empresa que há décadas ocupa uma posição extremamente dominante no transporte coletivo de grande parte da Região dos Lagos simplesmente parece ter virado um dos poucos assuntos que ninguém quer comprar briga durante a eleição.
E aí fica a pergunta que deveria estar sendo feita em todos os palanques:
por que ninguém fala sobre o modelo de transporte da Região dos Lagos?
Por que não existe um debate sério sobre concorrência, qualidade do serviço, integração entre municípios, preço das passagens, frequência dos ônibus e alternativas ao atual modelo?
A questão não é atacar empresa A ou empresa B. É discutir um fato que afeta diretamente a vida de milhares de trabalhadores, estudantes e moradores todos os dias.
Se políticos conseguem criticar concessionárias de água, rodovias, governos e praticamente qualquer outro setor, por que o transporte coletivo parece ser um território onde todo mundo prefere pisar em ovos?
Nos bastidores, muita gente diz que o poder político e econômico construído ao redor do transporte coletivo na região é gigantesco. E, justamente por isso, talvez seja necessário ainda mais debate público — e não menos.
Não estou afirmando ilegalidade ou qualquer tipo de acordo entre políticos e empresas. Mas é impossível ignorar o contraste: Prolagos recebe críticas, CCR recebe críticas, governos recebem críticas. A Salineira? Quase ninguém toca no assunto.
Em uma eleição em que praticamente tudo virou pauta, talvez o maior silêncio político da Região dos Lagos esteja justamente sobre aquilo que o cidadão enfrenta quando acorda cedo para trabalhar e precisa pegar um ônibus.
E fica a provocação: será que ninguém vê os problemas ou será que o cartel do transporte coletivo da Região dos Lagos é poderoso demais para virar assunto de campanha?
Porque, até agora, em 2026, essa é uma pergunta que nenhum candidato parece estar muito interessado em responder.
