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Rio de Janeiro – Um dos nomes fundamentais da Bossa Nova, Roberto Menescal atravessa mais de sete décadas de carreira sem se afastar dos palcos e agora acompanha de perto um novo momento de interesse pelo gênero que ajudou a criar.
Com mais de 400 músicas compostas, parcerias com grandes nomes da música como Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Nara Leão, Ronaldo Boscoli, Carlinhos Lira, e uma trajetória marcada também pela participação na descoberta e no lançamento de grandes nomes da música brasileira, Menescal vê com entusiasmo a aproximação de artistas jovens com a Bossa Nova.
É nesse momento da carreira que Menescal inicia uma temporada de cinco apresentações pelo estado do Rio de Janeiro. A primeira será nesta sexta-feira (11), no Sesc Valença, em um encontro com a cantora Cris Delanno e o percussionista Reginaldo Vargas. Depois, a série passa por Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, antes de chegar ao Rio de Janeiro.
Em Valença, o músico promete um repertório que reúne parte da história construída ao longo da carreira, mas também reserva espaço para novidades.
“O público pode esperar as coisas que a gente fez na vida e sempre com as novidades que a gente tem no bolso para mostrar”, diz.
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Menescal concedeu entrevista EXCLUSIVA ao Diário do Vale
DV: Você está chegando aos 89 anos com uma agenda que muitos artistas mais jovens teriam dificuldade de acompanhar. Como você está vivendo esse momento e essa fase tão intensa de trabalho?
RM: Eu estou chegando aos 89 anos… realmente com uma agenda que muitos artistas mais jovens teriam dificuldade de acompanhar. Eu imagino, porque nunca minha agenda teve assim como está agora. É o que está vindo, é o que estão me chamando, e eu estou fazendo o que é possível.
DV: Você já viveu praticamente toda a história da Bossa Nova e acompanhou diferentes fases do gênero. O que mais surpreende você nesse novo interesse pela Bossa Nova, quase 70 anos depois do surgimento do movimento?
RM: Eu estou surpreso com o novo interesse pela Bossa Nova, quase 70 anos depois do surgimento dela, do movimento. Na verdade, eu estou surpreso com o surgimento desse movimento que está aparecendo. São pessoas novas, que fazem quase uma repetição do que a gente fez, mas com uma cara nova, muito boa. A mesma música que a gente cantou 70 anos atrás, eles cantam com outra intenção. Eu estou adorando. É como se tivesse uma coisa nova vindo na minha vida.
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DV: Nesta sexta-feira (11), você abre a temporada de cinco apresentações pelo interior do estado no Sesc Valença, que fica em uma região muito próxima dos leitores do Diário do Vale. O que o público pode esperar desse encontro com você, Cris Delanno e o percussionista Reginaldo Vargas?
RM: Estarei no Sesc Valença, ao lado de Cris Delanno e de um percussionista, Reginaldo, que é um cara muito bom. O público pode esperar as coisas que a gente fez na vida e sempre com as novidades que a gente tem no bolso para mostrar.
DV: Essa série passa ainda por Teresópolis, Friburgo, Petrópolis e termina no Rio. Você sente que o público do interior tem uma relação diferente com a Bossa Nova em comparação com os grandes centros?
RM: Tem. Tem, depende sempre dos artistas que vão lá fazer show, então eles têm uma variedade muito grande. De repente vai um cantor novo cantando as nossas coisas. Mas eu acho que a gente vai acertar muito o repertório que eles estão esperando da gente, pode ter certeza.
DV: Você trabalhou com diferentes gerações de artistas e agora está se aproximando também de um público mais jovem. O que essa nova geração está trazendo para a Bossa Nova?
RM: É porque essa geração dos artistas novos pega a mesma música que a gente fez e ela fica com outra cara. Quando eu vejo uma menina como Mari Campolongo, que tem 22 anos, se não me engano, e ela fala assim: “Ah, você está vendo o som do jeito que eu fiquei”. Ela está falando da relação dela com o que está ouvindo. Antes a gente cantava e passava em branco por essas coisas. Hoje eles estão tirando de cada palavra o que a palavra precisa. Então isso está me deixando louco, essa turma. Eu estou gostando muito.
Da esquerda para direita – Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ronaldo Bôscoli, Menescal e Carlinhos Lira – Foto: Arquivo
DV: Ao longo de mais de 70 anos de carreira, você compôs mais de 400 músicas e participou da descoberta e do lançamento de grandes nomes da música brasileira. Depois de tantos anos, ainda existe alguma música sua que consegue surpreender pela maneira como continua sendo recebida?
RM: Tem coisa que me surpreende, mas principalmente como eu disse: essa geração nova que pega uma música minha, que é comum para mim, é tudo…
DV: O que muda quando uma música que você conhece tão bem passa a ser interpretada por alguém de uma geração que nasceu décadas depois da Bossa Nova?
RM: Eles pegam a mesma música que a gente fez e ela fica com outra cara. É isso que está me surpreendendo. Eles têm uma maneira diferente de ouvir e de colocar aquilo para fora. É uma coisa nova chegando na minha vida.
DV: Você está vivendo um momento bastante particular, sendo novamente levado ao palco por artistas de diferentes gerações e formatos. O que essa troca representa para você neste momento da carreira?
RM: Eu estou gostando muito dessa turma nova. É uma geração que está pegando a nossa música e trazendo uma outra intenção para ela. Isso me dá uma sensação de novidade, mesmo depois de tantos anos fazendo música.
DV: A Bossa Nova nasceu de uma geração que transformou a maneira de fazer e ouvir música brasileira. Hoje, diante desse novo interesse pelo gênero, você acredita que está surgindo uma nova maneira de enxergar essa música?
RM: Eu acho que sim. Eles fazem quase uma repetição do que a gente fez, mas com uma cara nova, muito boa. A mesma música que a gente cantou há tantos anos ganha outra intenção. É isso que está acontecendo e eu estou adorando.
DV: Aos 89 anos, depois de mais de sete décadas de carreira, centenas de músicas e tantos encontros com diferentes gerações, o que ainda faz você querer estar no palco e continuar criando?
RM: É o que está vindo, é o que estão me chamando, e eu estou fazendo o que é possível. Eu estou aqui para presenciar isso que está acontecendo. Estou fazendo shows no meu país como nunca.
O post Roberto Menescal: “A Bossa Nova está em alta” apareceu primeiro em Diário do Vale.
