
Rodrigo Lira – Doutor em política, professor e pesquisador do programa de doutorado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades da Universidade Candido Mendes – A Reforma Tributária deixou de ser apenas uma discussão sobre o futuro. Desde 2026, empresas e governos já convivem com etapas práticas de implantação do novo sistema, que substituirá gradualmente tributos como ICMS e ISS pelo IBS, além da criação da CBS. A transição será longa, mas seus impactos sobre municípios e empresas começam agora.
Para Campos dos Goytacazes e para os municípios da região, a questão merece especial atenção. Uma das principais mudanças está na lógica de tributação do consumo, que passa a privilegiar o destino, ou seja, o local onde efetivamente ocorre o consumo.
Em uma cidade que exerce forte centralidade regional nos setores de comércio, serviços, saúde, educação e atividades empresariais, compreender os efeitos dessa nova dinâmica sobre a arrecadação municipal será fundamental. O mesmo vale para os municípios do Norte e Noroeste Fluminense, que possuem estruturas econômicas e fiscais bastante distintas.
Mais do que antecipar perdas ou ganhos, é necessário preparar as administrações públicas para o novo modelo, qualificar equipes, aprimorar informações e acompanhar atentamente a transição das receitas.
Do lado das empresas, o desafio também é significativo. Sistemas, documentos fiscais, formação de preços, contratos, créditos tributários e planejamento financeiro precisarão ser revistos. Para empresários e contadores, portanto, buscar informação desde agora não é apenas recomendável: é uma necessidade.
É justamente para ampliar esse debate que o Núcleo de Inteligência e Governança das Cidades – NIC, iniciativa da Universidade Candido Mendes em parceria com o CIDENNF, promove, no dia 10 de setembro, no auditório da Universidade, o encontro “Reforma Tributária e Desenvolvimento Regional: oportunidades e desafios”, conduzido pelo advogado tributarista Roberto Landes.
A proposta é reunir representantes dos municípios mobilizados pelo CIDENNF, além de contadores, empresários e profissionais que vêm buscando compreender melhor as mudanças e se preparar para o novo cenário.
A Reforma Tributária não deve ser vista apenas como uma mudança de impostos. Para Campos e região, ela precisa ser compreendida como uma questão de planejamento, competitividade, capacidade de adaptação e desenvolvimento regional.
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