RIO DE JANEIRO — Lojas de celulares e de acessórios eletrônicos eram usadas por uma organização criminosa para lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo a Polícia Civil. De acordo com as investigações, uma das empresas movimentou mais de R$ 47 milhões em um curto período, valor incompatível com o porte do estabelecimento.
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As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (15) pelo delegado Pedro Brasil, titular da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), responsável pela investigação que resultou na Operação Hawala, deflagrada para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro superior a R$ 100 milhões.
Segundo o delegado, os recursos provenientes das facções eram utilizados para comprar peças e acessórios de celulares no exterior. Os produtos eram revendidos no Brasil como se fossem adquiridos de forma regular, permitindo que o dinheiro ilícito fosse declarado como lucro comercial.
Além desse mecanismo, a investigação identificou depósitos fracionados para dificultar o rastreamento pela Receita Federal e a pulverização de patrimônio entre integrantes do grupo, estratégia usada para ocultar a origem dos recursos.
Entre os presos está Bárbara Luzia Souza de Carvalho, proprietária de uma loja de celulares localizada nas proximidades do Morro São Carlos, na região central do Rio.
Segundo a Polícia Civil, o estabelecimento movimentou mais de R$ 47 milhões, embora a empresária tivesse declarado renda mensal de apenas R$ 880 e fosse beneficiária de programas sociais.
Outro preso foi Thierry Martins Lourenço Ribeiro, apontado como o contador da organização e responsável por estruturar o esquema financeiro para dar aparência legal ao dinheiro das facções.
Já o libanês Reda Zayoun, preso em Foz do Iguaçu (PR), é apontado como o líder do grupo. De acordo com a investigação, ele atuava ao lado dos irmãos Kassem Zayoun e Yasser Zayoun, presos em São Paulo.
Durante a operação, os agentes apreenderam celulares, tablets, notebooks, automóveis, além de uma grande quantidade de cigarros eletrônicos e canetas emagrecedoras introduzidos ilegalmente no país.
A Polícia Civil acredita que os produtos tenham ingressado no Brasil pela região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, considerada estratégica para o contrabando e alvo constante de monitoramento por autoridades nacionais e internacionais.
As investigações também apuram possíveis conexões internacionais do grupo. Segundo o delegado Pedro Brasil, foram identificadas transações financeiras entre Reda Zayoun e uma pessoa sancionada pelo governo dos Estados Unidos por financiamento à organização terrorista Al-Qaeda. Além disso, um dos irmãos do investigado publicou, nas redes sociais, uma bandeira ligada ao Hezbollah.
Apesar dos indícios, a Polícia Civil ressaltou que não há comprovação, até o momento, de vínculo da organização com grupos terroristas. Os dispositivos eletrônicos apreendidos serão periciados para aprofundar essa linha de investigação.
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