Polícia Civil realiza operação em Cabo Frio contra grupo acusado de lavar R$ 116 milhões para o Comando Vermelho

Redação
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Cabo Frio, na Região dos Lagos, é uma das cidades que integram a Operação Riqueza Sombria, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta terça-feira (3) para desarticular um esquema interestadual de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho. A ação ocorre simultaneamente nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, com o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão. Até o momento, dois suspeitos foram presos. Segundo as investigações, a organização criminosa movimentou mais de R$ 116 milhões entre 2017 e 2025 por meio de empresas de fachada e contas bancárias utilizadas para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.

As investigações apontam que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 116 milhões entre os anos de 2017 e 2025 por meio de contas bancárias de terceiros e empresas de fachada utilizadas para ocultar a origem ilícita dos recursos provenientes do tráfico de drogas.

A operação mobilizou agentes em diferentes regiões do país para cumprir 18 mandados de busca e apreensão e outros mandados judiciais relacionados ao esquema criminoso. No estado do Rio de Janeiro, as ações ocorreram em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e também no bairro do Jacaré, na Zona Norte da capital. Durante as diligências, os policiais apreenderam uma arma de fogo, celulares e computadores que poderão contribuir para o avanço das investigações.

Segundo a Polícia Civil, a apuração teve início após uma operação realizada em julho de 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, agentes encontraram drogas, rádios comunicadores e comprovantes bancários que revelaram indícios da existência de uma complexa estrutura financeira voltada à movimentação e ocultação de recursos oriundos do tráfico de drogas.

As investigações revelaram que os valores arrecadados com a comercialização de entorpecentes eram depositados de forma fragmentada em diversas contas bancárias, prática conhecida como “smurfing”. O método consiste na realização de múltiplos depósitos de menor valor para dificultar a identificação das transações pelos órgãos de controle e fiscalização financeira. Grande parte dessas operações ocorria em áreas sob influência da facção criminosa, incluindo regiões próximas ao Complexo do Chapadão.

De acordo com os investigadores, o dinheiro era posteriormente transferido para contas de pessoas utilizadas como “laranjas” e redistribuído dentro do sistema financeiro formal, caracterizando um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Relatórios de inteligência financeira identificaram que alguns dos principais beneficiários das movimentações estão concentrados em Sete Quedas, município de Mato Grosso do Sul localizado na fronteira com o Paraguai.

O Ministério Público destacou que o fluxo financeiro acompanha a mesma rota utilizada pelo tráfico internacional de drogas e armas. Conforme a investigação, os entorpecentes entram no Brasil pela fronteira paraguaia, atravessam o Mato Grosso do Sul e seguem para comunidades dominadas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Civil, a Operação Riqueza Sombria busca identificar todos os integrantes da organização criminosa envolvidos no esquema, aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados ilegalmente e responsabilizar criminalmente os participantes da estrutura financeira que sustentava as atividades da facção.

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