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Investigação apura possíveis conexões entre atuação parlamentar, Banco Master e financiamento do filme Dark Horse
Brasília – A Procuradoria-Geral da República (PGR) ampliou a apuração sobre a possível atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em assuntos relacionados ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O procurador-geral Paulo Gonet pediu novas diligências no inquérito aberto pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também investiga suspeitas envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A investigação foi autorizada a partir de elementos apresentados pela Polícia Federal (PF), que apontou possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa. O procedimento foi instaurado em julho e teve parte do conteúdo divulgado nesta sexta-feira (11), após Mendonça retirar o sigilo de documentos relacionados ao caso Master.
Atuação parlamentar será analisada
Entre as medidas solicitadas por Gonet está o levantamento de projetos e outras propostas legislativas apresentadas por Flávio Bolsonaro e pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP).
A PF deverá verificar se as iniciativas têm relação com interesses do Banco Master ou de empresas vinculadas a Vorcaro. A PGR também determinou que sejam examinados aparelhos eletrônicos apreendidos durante as investigações para identificar possíveis referências aos dois parlamentares.
A análise deverá incluir mensagens, documentos e outros arquivos que possam contribuir para esclarecer eventuais contatos ou articulações relacionados ao grupo empresarial investigado.
Apuração sobre o filme Dark Horse
A situação de Mario Frias é investigada em um procedimento separado, relatado pelo ministro Flávio Dino. Nesse caso, a PF apura o possível uso de recursos provenientes de emendas parlamentares na produção de Dark Horse.
Frias é diretor-executivo do projeto. Na quinta-feira (10), ele, a produtora Karina da Gama e outras pessoas foram alvo de mandados de busca e apreensão.
Segundo a PF, existem indícios de ligação entre R$ 2 milhões em emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), em 2024, e a Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme. Karina da Gama aparece como sócia das duas empresas.
Recursos enviados aos Estados Unidos
Os documentos que tiveram o sigilo retirado também mostram que a PF apura a participação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na estruturação da administração, no exterior, de recursos relacionados ao longa-metragem.
Segundo o relatório policial, a operação envolveria o fundo Havengate, localizado no Texas, nos Estados Unidos, e administrado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro.
A PF identificou uma transferência de US$ 2 milhões, realizada em fevereiro de 2025 pela empresa Entre Investimentos para o fundo. Os investigadores também apontam que o planejamento previa recursos de até US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 122 milhões segundo a cotação utilizada no relatório.
Os repasses foram interrompidos após a prisão de Daniel Vorcaro.
Colaboração premiada
A Entre Investimentos pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. Ele firmou acordo de colaboração premiada com a PGR, homologado nesta semana por André Mendonça.
As investigações ainda buscam esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos recursos, além de verificar se houve relação entre as atividades parlamentares dos envolvidos, os negócios do Banco Master e o financiamento de Dark Horse. As suspeitas são objeto de investigação e não representam, por si só, uma conclusão sobre responsabilidade criminal.
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