BRASÍLIA — A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (1º), uma nova fase da operação que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de cotas parlamentares. A ação teve como alvos advogados ligados ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados.
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O parlamentar não foi alvo dos mandados cumpridos nesta quarta, mas a investigação apura se ele e aliados teriam elaborado uma versão falsa para justificar a origem de R$ 430 mil em dinheiro vivo apreendidos em um endereço usado por ele no ano passado.
A quantia foi encontrada em dezembro, durante uma fase anterior da operação, dentro de um saco de lixo guardado no armário de um flat alugado por Sóstenes, em Brasília.
Na época, o deputado afirmou que o dinheiro era lícito e teria origem na venda de um imóvel em Ituiutaba, em Minas Gerais.
“O valor encontrado é oriundo de contrato limpo, venda de um imóvel. Quem quer viver de dinheiro de corrupção não mantém dinheiro lacrado. É dinheiro lícito”, declarou o parlamentar na ocasião.
A nova fase da investigação busca esclarecer se essa justificativa apresentada sobre a origem dos R$ 430 mil é verdadeira. A Polícia Federal suspeita que a versão possa ter sido criada para explicar a descoberta do dinheiro.
Segundo a investigação, os agentes apuram possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual.
Em nota, Sóstenes Cavalcante afirmou que um dos alvos da operação foi o comprador do imóvel citado por ele como origem do dinheiro. O deputado também disse que nenhum dos investigados desta quarta é seu advogado.
“Podem fazer operação à vontade, quem não deve não teme”, afirmou o parlamentar.
A operação desta quarta faz parte da Operação Rent a Car, que investiga suspeitas de uso irregular de recursos públicos da cota parlamentar em contratos de locação de veículos.
De acordo com a Polícia Federal, a apuração mira indícios de que deputados teriam usado contratos falsos com locadoras para desviar dinheiro público e promover lavagem de recursos.
As medidas judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.
Durante as buscas desta quarta, a PF encontrou maços de dinheiro escondidos dentro de um livro falso de Direito, na casa de um advogado alvo da operação.
A imagem do dinheiro dentro do livro chamou atenção e reforçou a linha de investigação sobre possíveis mecanismos de ocultação de valores.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de um esquema envolvendo agentes públicos, particulares e empresas supostamente usadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos.
A investigação também busca rastrear a movimentação e a destinação do dinheiro desviado, além de identificar se houve tentativa de atrapalhar a apuração.
As fases anteriores da operação já haviam identificado irregularidades em contratos de locação de veículos pagos com verba pública da Câmara dos Deputados.
Agora, a PF tenta avançar sobre a origem dos valores apreendidos, a relação entre os investigados e a eventual montagem de uma justificativa para o dinheiro em espécie encontrado no endereço ligado a Sóstenes Cavalcante.
A investigação segue em andamento. Até o momento, não há condenação contra o parlamentar ou os demais citados.
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