Pesquisadora carioca cria inteligência artificial para proteger comunicadoras e combater a desinformação

Redação
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RIO DE JANEIRO — A jornalista e pesquisadora carioca Marcelle Chagas desenvolveu a LATINAS IA, uma plataforma de inteligência artificial criada para fortalecer a proteção digital de mulheres jornalistas, ativistas e lideranças diante de ameaças virtuais, violência online e desinformação na América Latina.

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A iniciativa integra o programa da Mozilla Tech & Society Fellow e é realizada pela Rede de Jornalistas Pretos, com financiamento do Fundo Elas+ e parceria tecnológica da Meedan, organização internacional dedicada ao fortalecimento dos ecossistemas de informação.

Segundo a pesquisadora, a ferramenta não substitui os canais oficiais de denúncia, mas busca facilitar o acesso a informações confiáveis sobre segurança digital, apoio jurídico e suporte psicossocial, reduzindo barreiras enfrentadas por mulheres que atuam na comunicação, na defesa de direitos e na participação pública.

Utilizando a tecnologia Suwali, desenvolvida pela Meedan, a plataforma oferece orientações para casos de violência digital, ataques coordenados, exposição indevida de dados e disseminação de desinformação. Além disso, reúne conteúdos verificados e auxilia as usuárias a identificar caminhos de apoio diante de situações de vulnerabilidade.

Para Marcelle Chagas, a inteligência artificial deve ser desenvolvida a partir das realidades das comunidades mais impactadas pelas transformações digitais.

“A inteligência artificial não pode ser pensada apenas como uma ferramenta de produtividade. Ela precisa ser uma infraestrutura de direitos, capaz de ampliar vozes, fortalecer comunidades e reduzir desigualdades”, afirmou.

A pesquisadora também defende que o futuro da inteligência artificial está diretamente ligado à qualidade da informação produzida e compartilhada.

“Não teremos uma inteligência artificial ética, inclusiva e plural sem ecossistemas informacionais saudáveis. A forma como produzimos, distribuímos e protegemos informação define também quem participa das decisões sobre o futuro tecnológico”, concluiu.

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