ARMAÇÃO DOS BÚZIOS — Um áudio manipulado com uso de inteligência artificial (IA) para imitar a voz do prefeito Alexandre Martins (REP) circula em grupos de WhatsApp em Armação dos Búzios. A gravação, a qual o Rlagos teve acesso, atribui ao chefe do Executivo uma conversa que não ocorreu e inclui cobranças envolvendo R$ 2,4 mil, supostas dívidas, eleitores e uma campanha política.

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O conteúdo é apresentado como se fosse o registro de uma conversa privada de Alexandre. Na gravação, uma voz semelhante à do prefeito se dirige a uma mulher chamada Bárbara, faz uma série de cobranças e afirma que estaria pagando R$ 2.400 a ela. A fala também menciona supostos “calotes” dados em outras pessoas e demonstra preocupação com a repercussão da situação entre eleitores.
Em outro momento, o áudio faz referência à campanha de Dani e utiliza o nome do prefeito como parte da suposta cobrança. A gravação é marcada por linguagem agressiva e uma sequência de palavrões, ajudando a construir a aparência de um áudio particular que teria sido vazado.
Apesar da tentativa de atribuir autenticidade ao material, a gravação não corresponde a uma fala real de Alexandre Martins. O conteúdo foi manipulado por meio de inteligência artificial para reproduzir características da voz do prefeito e colocar em sua boca declarações que ele não fez.
É um tipo de manipulação que é possível por meio de sistemas de clonagem de voz, capazes de analisar características da fala de uma pessoa e gerar novos áudios reproduzindo timbre, entonação e outros elementos da voz original. Dessa forma, frases nunca pronunciadas podem ser produzidas artificialmente e apresentadas como se tivessem sido ditas pela pessoa imitada.
No caso envolvendo Alexandre Martins, a manipulação ganha peso por ocorrer em meio ao cenário eleitoral e envolver referências a dinheiro, eleitores e campanha política, elementos capazes de provocar repercussão sobre a imagem do prefeito caso o conteúdo seja tomado como verdadeiro.
Até o momento, não há elementos apresentados à reportagem que permitam identificar quem produziu originalmente a gravação. Por isso, embora o material esteja sendo utilizado para atingir politicamente Alexandre, não é possível atribuir sua produção a um grupo ou adversário específico sem comprovação.
A circulação do áudio também reforça a necessidade de cautela diante de gravações atribuídas a figuras públicas. Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial, a semelhança de uma voz, por si só, já não é suficiente para comprovar que determinada pessoa realmente pronunciou aquilo que aparece em um arquivo.
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