Ônibus clandestino, relatos de alta velocidade e mortes: o que se sabe da tragédia na BR-040

Redação
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PETRÓPOLIS — Um passeio que deveria terminar em um dia de lazer na praia de Copacabana acabou se transformando em uma das maiores tragédias recentes da BR-040. Um ônibus de turismo ligado à Estrela Guia Turismo tombou na descida da Serra de Petrópolis, na madrugada deste domingo (16), deixando 10 pessoas mortas e dezenas de feridos.

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O acidente aconteceu por volta das 4h30, no km 91 da BR-040, em um trecho que estava passando por obras. O coletivo havia saído da Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, com passageiros que participariam de uma excursão de bate e volta ao Rio de Janeiro.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a viagem era realizada de forma clandestina. O veículo não possuía autorização válida para fazer o transporte interestadual de passageiros.

A situação documental do ônibus chamou ainda mais atenção após o acidente. O veículo estava registrado em nome de uma empresa, possuía comunicação de venda para outra e apresentava adesivo vinculado a uma terceira empresa que, segundo a ANTT, também estava inapta.

Ônibus saiu de Belo Horizonte e ia para Copacabana — Foto: Divulgação/CBMERJ

A agência também informou não ter localizado empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo para realizar aquele tipo de viagem.

Outro ponto central da investigação são os relatos de alta velocidade.

Uma passageira sobrevivente afirmou que o motorista conduzia o ônibus em velocidade elevada desde o início da viagem. Segundo ela, passageiros chegaram a reclamar durante uma parada em Juiz de Fora e pediram para que ele diminuísse.

A mulher relatou ainda que alguns cintos de segurança do coletivo apresentavam problemas. De acordo com seu depoimento, o motorista teria dito que precisava chegar a Copacabana por volta das 4h30.

Um caminhoneiro que trafegava pela Serra de Petrópolis também afirmou ter visto o ônibus passando em alta velocidade pouco antes do tombamento. Segundo ele, o coletivo chegou a passar sobre cones em um trecho com alterações no trânsito devido às obras.

Esses relatos fazem parte da apuração e ainda precisarão ser confrontados com perícia, depoimento do motorista, imagens disponíveis e demais elementos da investigação.

O motorista sobreviveu ao acidente e deverá ser ouvido pela polícia. A versão dele será importante para esclarecer o que aconteceu nos minutos anteriores ao tombamento.

Segundo as informações divulgadas sobre a excursão, os passageiros pagaram cerca de R$ 170 pelo passeio. O grupo havia embarcado em diferentes pontos da Região Metropolitana de Belo Horizonte e seguia para passar o dia em Copacabana.

O que deveria ser uma viagem de lazer terminou antes mesmo da chegada à capital.

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Entre as 10 vítimas fatais estão nove mulheres, sendo uma delas grávida, e uma menina. Dezenas de sobreviventes precisaram de atendimento médico após o acidente.

A concessionária responsável pela rodovia informou que o coletivo transportava 56 pessoas, incluindo motorista e dois ajudantes. O Corpo de Bombeiros e as equipes de emergência fizeram uma grande operação de resgate na Serra.

Feridos foram encaminhados para unidades de saúde de Petrópolis, Duque de Caxias e Rio de Janeiro.

Agora, a investigação terá várias perguntas para responder: por que o ônibus tombou, qual era a velocidade do veículo, quais eram suas condições mecânicas, quem organizou a excursão e como um transporte considerado clandestino conseguiu realizar a viagem.

A Polícia Civil investiga o acidente por meio da 105ª DP (Petrópolis). A perícia deverá analisar o ônibus e outros elementos para determinar as causas e eventuais responsabilidades.

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