ARARUAMA — O ex-prefeito Chiquinho da Educação, nome político de Francisco Carlos Fernandes Ribeiro, voltou ao centro da cena política de Araruama após publicar ataques contra adversários e prometer apresentar documentos sobre supostos casos de corrupção no município.
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Nas redes sociais, Chiquinho aparece exibindo papéis e afirmando que vai “esclarecer para o povo”. Na legenda, cita nomes da política local e fala em “corrupção”, “momento nebuloso” e “governo mais corrupto de todos os tempos”.
O discurso, no entanto, reacende uma contradição que acompanha sua trajetória: o ex-prefeito que hoje tenta posar como fiscal da moralidade já teve o próprio nome associado a condenações, rejeição de contas, inelegibilidade e decisões desfavoráveis na Justiça.
Em 2018, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou decisão que suspendeu os direitos políticos de Chiquinho da Educação por oito anos, deixando o ex-prefeito inelegível até 2026, segundo publicações da época sobre condenação por improbidade administrativa.
O TRE-RJ também registrou, em decisão eleitoral envolvendo o grupo político de Araruama, que Francisco Carlos, conhecido como Chiquinho da Educação, encontrava-se em situação de inelegibilidade por força de condenações, inclusive em ação de improbidade administrativa.
Além disso, em 2025, o ex-prefeito voltou a aparecer em notícia sobre condenação no TCE-RJ para ressarcir mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos de Araruama, em decisão ligada a processo do tribunal de contas.
É esse passado que torna o novo discurso de Chiquinho alvo de questionamentos nos bastidores. Para adversários, o ex-prefeito tenta se colocar como acusador, mas carrega um histórico político pesado demais para vestir o papel de juiz da moral pública.
A postura agressiva nas redes também já virou marca registrada. Em vez de apresentar uma agenda nova para Araruama, Chiquinho da Educação aposta no confronto, nos ataques diretos e na tentativa de constranger adversários com vídeos e declarações inflamadas.
O problema é que, na política, quem aponta o dedo também precisa responder pelo próprio caminho. E o caminho de Chiquinho passa por processos, condenações, inelegibilidade e desgaste público acumulado ao longo dos anos.
A publicação mais recente mira figuras políticas da cidade, mas também acaba colocando o próprio ex-prefeito de volta sob os holofotes. Afinal, quando alguém com esse histórico fala em corrupção, a pergunta que fica é inevitável: com qual autoridade moral?
Nos bastidores de Araruama, a movimentação é vista como mais uma tentativa de Chiquinho da Educação de recuperar protagonismo político, mesmo após anos de desgaste e decisões que limitaram sua atuação eleitoral.
Para seus críticos, o ex-prefeito tenta transformar barulho em força política. Para seus aliados, ele ainda mantém influência e capacidade de mobilização. O fato é que, ao voltar a atacar, Chiquinho também volta a ser lembrado pelo passado que tenta deixar para trás.
E esse passado continua sendo um peso no debate político da cidade.
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