Mestre Didi, o campista mais conhecido do mundo

Redação
5 Leitura mínima

Por Leo Barros

Fotos: Divulgação/Arquivo

O que um personagem quase centenário representa para o futebol? Se for Didi, o seu legado ainda segue vivo e atual. Décadas antes da revolução da internet, o craque já tinha se tornado o “campista mais conhecido do mundo” com o seu talento e elegância. Bicampeão mundial pela Seleção Brasileira, sendo o craque da Copa de 1958, Didi colecionou vitórias, histórias, frases marcantes e está no hall da fama da Fifa como “Mr. Football” (Senhor Futebol).

Cria dos campinhos de várzea da antiga Rua Aquidaban, na área central de Campos, Didi sonhava com o sucesso. Antes de ir para a capital, defendeu clubes da cidade natal – como Rio Branco, Goytacaz e Americano. No Rio, vôos maiores no Madureira, Fluminense e Botafogo. Em 17 de junho de 1950, um feito histórico: marcou o primeiro gol da História do Maracanã em amistoso entre as Seleções Carioca e Paulista.

A inspiração para Cristiano Ronaldo
“Jogava em pé, a não ser quando aparentemente se desequilibrava para enfiar um passe”, definiu Mário Filho, jornalista que dá nome ao Maracanã.
Além do seu talento inegável, Didi chamava a atenção por seu estilo. Elegante, esguio, não abaixava a cabeça de forma alguma e era capaz de fazer lançamentos perfeitos. O jornalista Nelson Rodrigues o apelidou de “Príncipe Etíope”. Em sua genialidade, é o inventor da folha-seca – chute de três dedos em que a bola caía como uma folha seca dentro do gol para surpresa do goleiro. Para os mais jovens, é um dos chutes preferidos do português Cristiano Ronaldo, inspirado no Mestre Didi.

O mundo aplaude o Mestre
“Um negro esguio, cabeça empinada, porte altivo. Mestre Didi – assim seria mais convencional chamá-lo”, conta o escritor campista Péris Ribeiro, autor de “Didi, o gênio da folha seca”.

Com a camisa do Brasil, Didi disputou três Copas do Mundo. Na estreia, em 1954 (Suíça), a seleção foi eliminada pela Hungria de Puskas. Em 1958 (Suécia), foi campeão e craque da competição. Em sua despedida, em 1962 (Chile), foi bicampeão, já veterano aos 33 anos. “Quem tem de correr é a bola, não o jogador”, ensinava Didi, com uma das suas frases marcantes.

Já campeão do mundo, Didi se aventurou no Real Madrid, um dos principais clubes do mundo. Apesar de ter ficado apenas um ano na Espanha e ter sofrido boicote de craques, como o argentino Di Stéfano, conquistou a Liga dos Campeões, Copa Intercontinental e Campeonato Espanhol no início da década de 1960. No Brasil, ainda defendeu o São Paulo.

O Mestre virou professor
Após a aposentadoria, virou técnico. Levou a seleção peruana de volta à Copa do Mundo após quatro décadas. Foi em 1970, no México, quando acabou sendo eliminado nas quartas de final pelo Brasil, dos seus ex-companheiros de Seleção Brasileira Pelé e Zagallo. Como técnico, também comandou Sporting Cristal e Alianza Lima (Peru), River Plate (Argentina), Fenerbahçe (Turquia), Al Ahli (Arábia Saudita), Fluminense, Botafogo, Cruzeiro e Bangu.

Valdir Pereira, o Didi, morreu em 12 de maio de 2001, aos 72 anos, vítima de um câncer de fígado. Morava na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, ao lado da esposa Guiomar. Morreu sem realizar o sonho de ser técnico da Seleção Brasileira. Mas com a certeza que o futebol foi generoso com ele. Em 8 de outubro de 2028, completaria 100 anos.

“Tenho consciência que fiz por onde chegar a algum lugar. Sei bem disso. Mas sei também que Deus foi bom demais, dando-me além”, disse Didi ao seu biógrafo, Péris Ribeiro.

Quem quiser saber um pouco mais da saga de Didi, pode acompanhar breves momentos na série “A Saga do Tri”, em cartaz na Netflix, que retrata o jogo entre a seleção canarinho e o esquadrão peruano comandado por Didi.

O post Mestre Didi, o campista mais conhecido do mundo apareceu primeiro em J3News.

Compartilhe este artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress