DUQUE DE CAXIAS (RJ) – Três maritacas resgatadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chegaram ao centro de reabilitação com o rosto pintado de amarelo para se parecerem com papagaios, espécie que costuma alcançar preços mais altos no tráfico de animais silvestres.
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Além da pintura, os traficantes cortaram parte das penas das asas e da cauda das aves para dificultar a fuga. Os animais estão em tratamento no Instituto Vida Livre, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde passam por acompanhamento veterinário e ainda não têm previsão de retorno à natureza.
Segundo o médico-veterinário Lucas Rebelo, a tinta utilizada pode provocar intoxicação e causar alterações no fígado e nos rins das aves.
“O corte das penas também atrasa muito o processo de reabilitação e soltura. É preciso esperar que elas cresçam novamente para que as aves consigam voar adequadamente”, explicou.
Os tratadores afirmam que os animais chegam ao instituto bastante debilitados, tanto fisicamente quanto no comportamento. Uma das maritacas resgatadas apresentava estado mais grave, com cerca de 30 gramas abaixo do peso ideal, e precisou ser mantida em ambiente climatizado para auxiliar na recuperação.
As aves foram apreendidas durante uma fiscalização do Ibama na tradicional Feira de Caxias, conhecida pelo histórico de comércio ilegal de animais silvestres. De acordo com os especialistas, se permanecessem por mais tempo nas mãos dos traficantes, elas poderiam não sobreviver.
O veterinário Lucas Rebelo destacou que esse tipo de fraude é recorrente no tráfico de animais, já que papagaios possuem maior valor no mercado ilegal.
Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) mostram que cerca de 38 milhões de animais silvestres são capturados todos os anos no Brasil. Desse total, nove em cada dez morrem antes mesmo de chegar ao comprador final, em razão das condições de captura, transporte e armazenamento.
No Rio de Janeiro, a unidade do Ibama em Seropédica recebeu 7.409 animais apreendidos em 2025. Em dez anos, o órgão contabilizou mais de 48 mil animais resgatados.
Os especialistas reforçam que a compra de animais silvestres alimenta a cadeia de maus-tratos e do tráfico. Segundo eles, além de ser crime, a prática incentiva a captura de novos animais e contribui para a morte de milhares de espécies antes mesmo da comercialização.
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