Maradona recriado por IA em propaganda de apostas gera polêmica durante a Copa do Mundo

Redação
3 Leitura mínima

ARGENTINA — Uma propaganda exibida durante a Copa do Mundo de 2026 colocou novamente Diego Maradona no centro das atenções. Desta vez, porém, não por seus feitos dentro de campo, mas por uma recriação feita com inteligência artificial para promover uma plataforma de apostas esportivas.

A campanha, produzida pela empresa BetWarrior, mostra uma versão jovem de Maradona falando diretamente para a câmera e associando características como coragem e personalidade ao universo das apostas online. O vídeo foi exibido durante os intervalos de hidratação das partidas do Mundial e rapidamente provocou forte repercussão nas redes sociais e na imprensa argentina.

As críticas se concentraram principalmente na mensagem atribuída ao ex-jogador. Muitos torcedores e admiradores consideraram inadequado utilizar a imagem do maior ídolo do futebol argentino para incentivar apostas esportivas, especialmente em um momento em que cresce a preocupação com o avanço desse mercado entre jovens.

✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias nacional do Rlagos Notícias no WhatsApp

Nas redes sociais, internautas classificaram a campanha como “desrespeitosa”, “lamentável” e incompatível com a trajetória de Maradona.

A discussão ganhou ainda mais relevância após dados citados pela imprensa argentina apontarem o crescimento das apostas entre adolescentes no país. Levantamento do Unicef indica que um em cada quatro jovens argentinos já realizou algum tipo de aposta, apesar da prática ser proibida para menores de 18 anos.

Apesar da repercussão negativa, a utilização da imagem do ex-camisa 10 teve autorização formal dos herdeiros. Segundo o advogado Fernando Burlando, representante das filhas Dalma e Gianinna Maradona, a família autorizou a participação digital do ídolo na campanha.

Especialistas, no entanto, afirmam que o caso vai além da autorização jurídica.

Para estudiosos do tema, a inteligência artificial criou um novo desafio para a legislação mundial: definir até que ponto familiares podem permitir que pessoas falecidas sejam recriadas digitalmente para transmitir mensagens que talvez nunca tenham dito em vida.

“Maradona não foi um cidadão comum. Foi um símbolo cultural e afetivo para milhões de pessoas. O debate deixa de ser apenas patrimonial e passa a envolver memória, identidade e legitimidade”, avaliou o pesquisador Juan Gustavo Corvalán, da Universidade de Buenos Aires.

O episódio também reacendeu discussões sobre os chamados “fantasmas digitais”, sistemas capazes de reproduzir pessoas falecidas por meio de vídeos, áudios e registros armazenados ao longo da vida.

Quase seis anos após sua morte, Maradona continua mobilizando paixões dentro e fora dos gramados. Agora, porém, o debate não envolve apenas futebol, mas também os limites éticos da inteligência artificial e o futuro da herança digital.

📲 Confira as últimas notícias do Rlagos Notícias
📲 Acompanhe o Rlagos no Facebook , Instagram , Twitter e Thread

Compartilhe este artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress