RIO — Um homem de 39 anos foi preso em Realengo, na Zona Oeste do Rio, suspeito de integrar e chefiar no estado uma rede de tráfico internacional de pessoas que recrutava brasileiros com falsas ofertas de emprego para trabalhar no Sudeste Asiático. Segundo a investigação, depois de viajar, as vítimas acabavam submetidas a esquemas de exploração e obrigadas a aplicar golpes virtuais.
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Sandro Serra Araújo foi localizado nesta terça-feira (25). Ele estava foragido e, de acordo com a Polícia Civil, seria responsável pela captação de pessoas no Rio de Janeiro para o esquema.
A investigação aponta que o recrutamento ocorria a partir de propostas aparentemente vantajosas de trabalho no exterior. As ofertas envolviam principalmente vagas em call centers e empresas de tecnologia, com promessa de salários em dólar e comissões.
Ao chegarem à Ásia, porém, algumas das vítimas descobriam que o emprego prometido não existia nos moldes apresentados. Elas seriam então submetidas a uma estrutura criminosa voltada à aplicação de fraudes pela internet.
O Ministério das Relações Exteriores já havia alertado que países do Sudeste Asiático se tornaram um dos principais destinos de brasileiros vítimas desse tipo de tráfico. Entre os locais associados a esses esquemas estão Camboja, Tailândia, Mianmar e Laos.
Brasileiro foi atraído por promessa de salário em dólar
Um dos casos investigados envolve um brasileiro do Rio de Janeiro que viajou para o Laos no fim do ano passado após receber uma proposta para trabalhar em um call center.
Segundo o pai dele, que preferiu não ser identificado, a oferta prometia aproximadamente US$ 2 mil por mês, além de comissões. O jovem tinha cerca de R$ 20 mil em dívidas e enxergou no trabalho uma oportunidade de reorganizar a vida financeira.
A família conta que, inicialmente, as conversas com ele pareciam normais. Com o passar dos meses, no entanto, o brasileiro começou a demonstrar medo e dificuldade para deixar o local onde trabalhava.
Em julho, os parentes descobriram que ele estava entre 26 brasileiros presos no Laos durante uma operação contra uma rede de golpes virtuais.
O pai afirma que, antes da prisão, já percebia sinais de que o filho poderia estar sendo coagido.
“A gente percebia pelas ligações, certas perguntas. Via que ele estava sendo coagido por alguém. Não eram falas espontâneas. Sempre ele estava falando e olhando para os lados”, relatou.
A família também afirma ter recebido relatos de agressões e choques elétricos após a prisão e diz que está sendo cobrado um valor de aproximadamente R$ 18 mil para a libertação do brasileiro.
O Itamaraty informou que acompanha a situação desde julho. A Embaixada do Brasil em Bangkok, que também presta atendimento consular relacionado ao Laos, mantém contato com os brasileiros detidos e seus familiares.
Ligação com brasileiros presos é investigada
A Polícia Civil busca esclarecer agora se Sandro Serra Araújo participou diretamente do recrutamento dos brasileiros que terminaram presos no Laos.
A investigação também tenta identificar outros integrantes da rede, além de reconstruir como as vítimas eram abordadas, quem organizava as viagens e quais pessoas recebiam os brasileiros quando eles chegavam ao exterior.
A polícia reforçou o alerta para ofertas de trabalho no exterior feitas pelas redes sociais, principalmente quando apresentam salários elevados, facilidades para contratação e poucas exigências.
Até a última atualização, não havia manifestação pública da defesa de Sandro Serra Araújo.
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