Hepatites virais: doenças silenciosas preocupam especialistas

Redação
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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Hepatites virais são inflamações do fígado provocadas por diferentes tipos de vírus: A, B, C, D (Delta) e E

País – O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado nesta terça-feira (28), chama atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento dessas doenças. A data faz parte da campanha Julho Amarelo, criada para ampliar a conscientização da população sobre as hepatites virais e reduzir os impactos causados pelas infecções.

As hepatites virais são inflamações do fígado provocadas por diferentes tipos de vírus: A, B, C, D (Delta) e E. No Brasil, os casos mais frequentes são relacionados aos vírus A, B e C.

Consideradas doenças silenciosas, as hepatites podem permanecer por anos sem apresentar sintomas. Muitas vezes, os primeiros sinais são confundidos com problemas comuns, como cansaço, mal-estar e perda de apetite.

O hepatologista Adriano Moraes, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), explica que o fígado pode sofrer alterações durante muito tempo sem apresentar sinais evidentes.

“O fígado sofre em silêncio. A maioria das hepatites e doenças hepáticas não causa dor nem sintomas no início. O órgão tem uma grande reserva funcional e isso explica porque pode sofrer inflamação por muitos anos sem produzir sintomas”, afirmou.

Em fases mais avançadas, podem surgir sintomas como pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dor abdominal e coceira. Sem acompanhamento e tratamento adequados, as hepatites podem evoluir para quadros graves, como cirrose e câncer de fígado.

Vacinação e prevenção são fundamentais

A campanha Julho Amarelo reforça a necessidade de ampliar o diagnóstico e iniciar o tratamento o quanto antes. Segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, pacientes não tratados podem evoluir para formas crônicas da doença e desenvolver complicações ao longo da vida.

Entre as principais medidas de prevenção estão a vacinação, a realização de testes e os cuidados com hábitos que podem favorecer a transmissão.

A vacina contra a hepatite B é indicada para todas as pessoas e tem recomendação especial para profissionais de saúde, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, pessoas que vivem com HIV, pacientes renais crônicos e imunossuprimidos.

Já a vacina contra hepatite A é indicada principalmente para crianças, homens que fazem sexo com homens e viajantes para áreas consideradas de risco.

O especialista alerta ainda para cuidados simples no dia a dia.

“É importante usar preservativos na prevenção da hepatite B e nunca compartilhar agulhas, seringas, alicates de unha, lâminas de barbear e escovas de dentes”, orientou Adriano Moraes.

A testagem também é considerada uma ferramenta essencial para identificar casos que ainda não apresentam sintomas. A recomendação é que todas as pessoas realizem pelo menos uma vez exames para hepatites B e C, principalmente aquelas com mais de 40 anos.

Gestantes precisam de atenção especial

Durante a gravidez, as hepatites B e C podem ser transmitidas da mãe para o bebê, seja durante a gestação ou no parto. Por isso, exames de sangue fazem parte da rotina do pré-natal e são importantes para identificar precocemente a presença do vírus.

O presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Regis Kreitchmann, destaca que o diagnóstico antecipado permite proteger a gestante e reduzir os riscos para o recém-nascido.

“São exames simples, rápidos e acessíveis. Quanto mais cedo a infecção for identificada, maiores são as possibilidades de proteger a mãe e evitar a transmissão para o bebê”, afirmou.

Segundo o médico, a prevenção da transmissão durante a gestação é uma das prioridades do acompanhamento pré-natal, já que crianças infectadas têm maior risco de desenvolver hepatite crônica no futuro.

Brasil registrou mais de 826 mil casos em 24 anos

Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, apontam que o Brasil confirmou 826.292 casos entre 2000 e 2024.

A hepatite C foi responsável pela maior parte das notificações, com 342.328 registros (41,5%), seguida pela hepatite B, com 302.351 casos (36,6%), e pela hepatite A, com 174.977 ocorrências (21,2%).

No mesmo período, foram registrados 49.999 óbitos tendo as hepatites virais como causa principal e 45.959 mortes associadas às doenças.

Entre os óbitos, a hepatite C respondeu por 75,3% dos casos, seguida pela hepatite B, com 22%.

A Região Sudeste concentrou a maior proporção dos casos de hepatites B e C no país. Já a Região Norte apresentou a maior concentração de registros de hepatite D.

Tipos de hepatite e formas de transmissão

Cada tipo de hepatite possui características próprias:

  • Hepatites A e E: geralmente são transmitidas pelo consumo de água ou alimentos contaminados. Também podem ocorrer por práticas que envolvam contato fecal-oral.
  • Hepatites B, C e D: são transmitidas pelo contato com sangue e outros fluidos corporais infectados, incluindo relações sexuais sem proteção e transmissão da mãe para o filho durante a gestação.

Entre os principais desafios para o controle das hepatites estão a baixa cobertura vacinal, a dificuldade de diagnóstico, o acesso limitado a exames e o abandono do acompanhamento médico por parte de alguns pacientes.

O Ministério da Saúde mantém ações para ampliar o diagnóstico e tratamento das hepatites virais, com a meta de eliminar essas doenças como problema de saúde pública no Brasil até 2030. Com informações da Agência Brasil.

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