Glaidson, o “Faraó dos Bitcoins”, enfrenta júri popular no Rio nesta quarta-feira (2)

Redação
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Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, será submetido a júri popular nesta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro. O julgamento trata de acusações relacionadas a homicídio e tentativa de homicídio atribuídas ao grupo que, segundo o Ministério Público, estaria sob o comando do empresário. O processo inicialmente seria analisado em Cabo Frio, na Região dos Lagos, mas acabou transferido para a capital fluminense.

Preso desde agosto de 2021, quando foi alvo da Operação Kryptos, da Polícia Federal, Glaidson responde a diferentes processos relacionados à atuação da GAS Consultoria. O júri desta quarta-feira, porém, concentra-se nas acusações de crimes dolosos contra a vida, incluindo o assassinato do trader Wesley Pessano e a tentativa de homicídio contra Nilson Alves da Silva, conhecido como Nilsinho.

O Tribunal do Júri será responsável por analisar as acusações relacionadas aos crimes contra a vida. Entre os episódios investigados está a morte de Wesley Pessano, de 19 anos, que foi assassinado a tiros em São Pedro da Aldeia. As investigações também apontaram outros possíveis ataques envolvendo pessoas ligadas ao mercado de investimentos em criptomoedas.

Segundo a acusação do Ministério Público, Glaidson teria estruturado um grupo armado para atacar pessoas consideradas obstáculos aos negócios atribuídos à organização. A denúncia também envolve a tentativa de homicídio de Nilson Alves da Silva, o Nilsinho, investidor que sobreviveu a um ataque a tiros.

A decisão sobre a responsabilidade criminal pelos fatos que serão analisados no júri caberá aos jurados. Glaidson tem direito à ampla defesa e ao contraditório, e as acusações serão avaliadas durante o processo judicial.

O julgamento desta quarta-feira não trata diretamente das acusações relacionadas ao funcionamento financeiro da GAS Consultoria. A empresa ganhou notoriedade em Cabo Frio ao oferecer contratos a investidores interessados em obter rendimentos vinculados ao mercado de criptomoedas.

De acordo com os registros apresentados no caso, a empresa chegou a oferecer retornos mensais de aproximadamente 10% aos investidores. A atuação da GAS posteriormente alcançou outras regiões e passou a ser alvo de investigações relacionadas a crimes financeiros e organização criminosa.

PRISÃO NA OPERAÇÃO KRYPTOS

Glaidson está preso desde agosto de 2021, quando foi detido durante a Operação Kryptos, deflagrada pela Polícia Federal para investigar as atividades financeiras relacionadas à GAS Consultoria.

A trajetória da empresa e de Glaidson também foi retratada no livro Queda Livre — A história de Glaidson e Mirelis, faraós dos bitcoins, escrito pelos jornalistas Chico Otavio e Isabela Palmeira e publicado pela editora Intrínseca em maio de 2024.

Segundo informações apresentadas na obra, o negócio teria movimentado cerca de R$ 38 bilhões entre 2015 e 2021 e alcançado pelo menos 89 mil pessoas.

CONDENAÇÃO EM OUTRO PROCESSO

Além do julgamento pelo Tribunal do Júri, Glaidson já foi condenado em outro processo decorrente das investigações envolvendo a GAS. Em outubro de 2025, a Justiça do Rio de Janeiro aplicou pena de 19 anos e dois meses de prisão pelos crimes de organização criminosa e corrupção ativa.

Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a organização ligada à GAS teria atuado na Região dos Lagos e praticado crimes contra possíveis concorrentes, além de ameaças e atos de corrupção.

Ainda conforme a acusação, vantagens indevidas teriam sido oferecidas a policiais civis para que fossem realizadas diligências contra concorrentes da empresa. Essa condenação é independente do processo que será analisado pelo Tribunal do Júri nesta quarta-feira.

HISTÓRIA DE GLAIDSON VIROU LIVRO E PROJETO DE FILME

A trajetória de Glaidson e de sua mulher, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, também ganhou uma versão em livro. Queda Livre aborda a ascensão da GAS Consultoria em Cabo Frio, os contratos oferecidos aos investidores, a relação do casal e as investigações que atingiram a empresa.

Os direitos de adaptação da obra para o cinema foram adquiridos pela Morena Filmes, produtora de Mariza Leão e Tiago Rezende. A proposta é transformar a história apresentada no livro em um longa-metragem.

Quando o projeto foi anunciado, em 2024, a previsão era iniciar as filmagens no primeiro semestre de 2025. Naquele momento, ainda não havia sido divulgado o nome do ator que interpretaria Glaidson.

Até o momento, conforme as informações fornecidas, não houve anúncio público recente sobre elenco, data de estreia ou atualização sobre o andamento da produção. O projeto permanece, portanto, sem lançamento confirmado.

JÚRI SERÁ REALIZADO NO RIO DE JANEIRO

O julgamento de Glaidson está marcado para esta quarta-feira (2), na capital fluminense. O processo, que inicialmente seria julgado em Cabo Frio, foi transferido para o Rio de Janeiro.

Durante o Tribunal do Júri, os jurados deverão analisar as acusações de crimes contra a vida apresentadas no processo. A decisão sobre a eventual responsabilidade criminal de Glaidson pelos fatos submetidos ao julgamento será tomada ao final da sessão.

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