Firjan defende conselho para acompanhar obras e ações de mobilidade estratégicas em Campos

Redação
9 Leitura mínima
Estrada dos Ceramistas com obras interrompidas (Fotos: Silvana Rust)

A reportagem especial do J3News, “Conselho de Mobilidade Urbana parado há 9 anos” (leia aqui), aborda os desafios históricos de Campos dos Goytacazes nas áreas de trânsito, transporte público, rodovias e estradas vicinais, além das dificuldades para avançar em soluções estruturantes.

Nesta entrevista, Francisco Roberto Siqueira, presidente da Firjan Norte Fluminense, avalia que estradas precárias, obras inacabadas e a deficiência do transporte público elevam os custos logísticos, dificultam a atração de investimentos e impactam negativamente a competitividade da economia regional e a qualidade de vida da população.

Como a FIRJAN observa a possibilidade de existir um conselho municipal a fim de cobrar da Prefeitura de Campos e Governo do RJ ações que busquem resolver problemas enfrentados em estradas e pontes sem conclusão?

A FIRJAN vê de forma positiva iniciativas que ampliem o diálogo, a governança e a transparência em torno de temas estruturantes para a infraestrutura e a mobilidade urbana. Fóruns permanentes de participação, quando bem organizados, podem contribuir para reunir poder público, setor produtivo e sociedade civil em torno de diagnósticos, prioridades, cronogramas e soluções para gargalos que afetam diretamente a logística, a circulação de pessoas e a competitividade regional.

No caso de Campos dos Goytacazes e do Norte Fluminense, esse debate é especialmente relevante. A região reúne ativos estratégicos para o desenvolvimento do estado, como o Porto do Açu, distritos industriais, cadeias produtivas ligadas à energia, ao setor ceramista, à logística, ao agro e às atividades portuárias. Por isso, a melhoria das estradas, acessos e pontes não deve ser tratada apenas como uma demanda local, mas como parte de uma agenda de desenvolvimento regional.

Do ponto de vista institucional, a criação ou o fortalecimento de um Conselho Municipal de Mobilidade Urbana está alinhado às diretrizes nacionais de participação social previstas na política de mobilidade urbana e na política urbana. Em Campos, o próprio Plano Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável já prevê a participação social por meio de instância colegiada relacionada à mobilidade. Assim, mais importante do que criar uma nova estrutura é assegurar que esse espaço funcione de forma efetiva, com reuniões regulares, composição plural, dados públicos, acompanhamento de cronogramas e capacidade de interlocução com a Prefeitura, o Governo do Estado, o DER-RJ e demais órgãos responsáveis pelas intervenções.

Esse tipo de instância pode contribuir para dar maior previsibilidade às ações públicas, acompanhar obras em andamento, organizar prioridades, ampliar a transparência sobre prazos e investimentos e fortalecer a interlocução entre Prefeitura, Governo do Estado, órgãos executores, setor produtivo e sociedade civil. Para uma região com ativos logísticos e industriais relevantes, a melhoria da governança sobre infraestrutura é parte essencial da agenda de desenvolvimento regional.

Francisco Roberto de Siqueira preside a Firjan NF

A Estrada dos Ceramistas é um dos problemas mais preocupantes, além da inconclusão da estrada Campos-Gargaú e acessos à Ponte que liga Campos, São Francisco e São João da Barra. Como a FIRJAN avalia esses entraves e que soluções espera?

A FIRJAN avalia que esses entraves comprometem o pleno aproveitamento do potencial logístico e produtivo do Norte Fluminense. A Estrada dos Ceramistas é uma via de grande relevância para Campos dos Goytacazes, especialmente para a cadeia ceramista da Baixada Campista, mas também para a ligação entre a BR-101, áreas produtivas, o litoral e os fluxos associados ao Porto do Açu. Sua conclusão e plena operação são fundamentais para reduzir a circulação de veículos pesados em áreas urbanas, melhorar a segurança viária e dar mais eficiência ao transporte de cargas.

As rodovias RJ-194 e RJ-196, associadas aos acessos à Ponte da Integração e à ligação com São Francisco de Itabapoana e São João da Barra, também têm papel estratégico. Esses eixos conectam municípios, áreas industriais, zonas produtivas e o complexo portuário, mas ainda dependem de investimentos em pavimentação, recuperação, sinalização, drenagem e manutenção para operar com segurança e regularidade.

O avanço dos investimentos necessários nessas vias, com prioridade, transparência e celeridade, é fundamental para a melhoria da infraestrutura logística do Norte Fluminense. Essa análise deve considerar de forma integrada as principais estruturas da região, como a Estrada dos Ceramistas (RJ-238), as RJ-194 (estrada Campos-Gargaú) e RJ-196, os acessos à Ponte da Integração, a BR-356, a BR-101 e as conexões atuais e futuras com o Porto do Açu, incluindo a discussão sobre a RJ-244. A melhoria desses corredores é essencial para ampliar a segurança viária, reduzir custos logísticos e fortalecer a integração entre Campos dos Goytacazes, São João da Barra, São Francisco de Itabapoana e os demais polos produtivos do Norte Fluminense.

Trânsito na Avenida 28 de Março

Quais os maiores problemas na avaliação da FIRJAN para a indústria e economia local e regional por conta de vias ruins e transporte público insuficiente?

A má condição das vias gera impactos diretos para a indústria, para o comércio, para os serviços e para a população. Estradas em condições inadequadas aumentam o tempo de deslocamento, elevam o custo do frete, reduzem a previsibilidade das entregas, ampliam o desgaste dos veículos e aumentam o risco de acidentes. Para empresas que dependem de transporte regular de insumos, produtos acabados, equipamentos e trabalhadores, esses fatores representam perda de competitividade.

No Norte Fluminense, esse problema ganha ainda mais importância porque a região abriga distritos industriais, cadeias produtivas relevantes e um dos principais complexos portuários do país. Quando os acessos logísticos não funcionam de forma adequada, o custo recai sobre toda a cadeia produtiva. Há impacto na atração de novos investimentos, na eficiência das operações existentes e na capacidade de transformar os ativos regionais em desenvolvimento econômico.

Terminal Rodoviário na Beira-Rio: falta de transporte público e insatisfação de usuários em Campos

Outro efeito relevante é urbano. A ausência de corredores logísticos adequados força a circulação de caminhões pesados por áreas da cidade que não foram planejadas para esse tipo de tráfego. Isso prejudica a fluidez, aumenta o desgaste das vias urbanas, interfere no transporte público e afeta diretamente a rotina da população. Nesse sentido, obras como a conclusão da Estrada dos Ceramistas e a futura ligação da RJ-244, conectando a BR-101 à região portuária de São João da Barra, podem contribuir para retirar parte do tráfego pesado de dentro da cidade e melhorar a mobilidade urbana.

O investimento em infraestrutura viária, transporte público e planejamento integrado tem impacto direto sobre a competitividade regional. A melhoria da conectividade logística reduz custos, aumenta a segurança, melhora a previsibilidade das operações, favorece a atração de investimentos e contribui para a qualidade de vida da população, especialmente em uma região marcada pela presença de distritos industriais, cadeias produtivas relevantes e ativos estratégicos como o Porto do Açu.

LEIA TAMBÉM

Conselho de Mobilidade Urbana parado há 9 anos

Falta de planejamento agrava crise da mobilidade em Campos, avalia urbanista

O post Firjan defende conselho para acompanhar obras e ações de mobilidade estratégicas em Campos apareceu primeiro em J3News.

Compartilhe este artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress