RIO DE JANEIRO — Um levantamento com base nos dados mais recentes da Capacidade de Pagamento (Capag) revela que 62 das 92 prefeituras do Estado do Rio de Janeiro aparecem com nota C ou estão sem classificação disponível na prévia fiscal do Tesouro Nacional.
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O arquivo oficial mais recente foi gerado em 1º de junho de 2026, com base nas contas municipais referentes a 2025. Dos 92 municípios fluminenses, 41 receberam nota C, enquanto 21 aparecem com a classificação “n.d.”, utilizada quando a nota não está disponível por falta de informações ou inconsistências nos dados encaminhados.
Outras sete cidades receberam a classificação “n.e.”, que significa não elegível. Com isso, o estado tem 69 municípios fora das classificações A e B na prévia divulgada pelo governo federal.
Apenas 23 prefeituras fluminenses aparecem nas faixas consideradas mais favoráveis: 16 municípios com nota A e sete com nota B.
O que é a Capag
A Capag funciona como uma espécie de avaliação da saúde financeira de estados e municípios. O cálculo considera três fatores principais: endividamento, poupança corrente e liquidez, que indica se a prefeitura possui dinheiro disponível para cumprir suas obrigações.
A avaliação é utilizada pelo governo federal durante a análise de pedidos de empréstimos que dependem da garantia da União. Quanto melhor a nota, menor é o risco de o município não conseguir pagar a dívida.
O próprio Tesouro Nacional ressalta, no entanto, que a classificação divulgada na prévia não representa uma autorização ou uma proibição definitiva. A análise final é realizada quando a prefeitura apresenta formalmente um pedido de operação de crédito.
As 41 cidades com nota C
A nota C indica que a situação fiscal do município apresenta comprometimento em pelo menos um dos indicadores analisados. Nessas condições, a prefeitura não aparece inicialmente entre os entes com melhor capacidade para receber a garantia federal.
Os 41 municípios com nota C são:
Aperibé, Barra Mansa, Barra do Piraí, Bom Jardim, Cachoeiras de Macacu, Cambuci, Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu, Cordeiro, Duque de Caxias, Engenheiro Paulo de Frontin, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Italva, Itaocara, Itaperuna, Japeri, Mangaratiba, Miguel Pereira, Natividade, Nova Iguaçu, Paraty, Paraíba do Sul, Pinheiral, Porciúncula, Quissamã, Rio Bonito, Rio Claro, Rio das Flores, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São Fidélis, São Gonçalo, São João de Meriti, São Sebastião do Alto, Tanguá, Teresópolis e Vassouras.
Entre as maiores cidades nessa situação estão Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, Itaboraí e São João de Meriti.
Na Região dos Lagos, aparecem com nota C os municípios de Casimiro de Abreu e Rio Bonito. Já Cabo Frio, que estava com classificação pior em levantamentos anteriores, aparece com nota B no arquivo mais recente.
As 21 cidades sem nota disponível
A classificação “n.d.” significa que a nota da prefeitura não pôde ser disponibilizada. Isso pode ocorrer por ausência de documentos obrigatórios, inconsistências contábeis ou problemas nos dados entregues ao sistema federal.
As 21 cidades sem nota disponível são:
Angra dos Reis, Areal, Bom Jesus do Itabapoana, Carmo, Comendador Levy Gasparian, Duas Barras, Laje do Muriaé, Macuco, Magé, Mendes, Miracema, Nova Friburgo, Paracambi, Petrópolis, Saquarema, Seropédica, Sumidouro, São Francisco de Itabapoana, São José de Ubá, Trajano de Moraes e Varre-Sai.
Entre os principais municípios desse grupo estão Petrópolis, Nova Friburgo, Angra dos Reis, Magé e Saquarema.
Sem uma nota disponível, essas prefeituras podem enfrentar dificuldades durante a análise de novos empréstimos, principalmente quando a operação depende do aval do governo federal.
Sete municípios aparecem como não elegíveis
Além das 62 cidades com nota C ou sem avaliação disponível, outras sete prefeituras aparecem no arquivo como “n.e.”, classificação utilizada para municípios considerados não elegíveis na análise.
São elas:
Armação dos Búzios, Belford Roxo, Carapebus, Quatis, São Pedro da Aldeia, Três Rios e Volta Redonda.
A classificação pode estar relacionada, entre outros fatores, à qualidade ou à consistência das informações contábeis apresentadas pelo município.
Municípios com nota A
A classificação A representa o grupo com melhor desempenho fiscal no levantamento. Esses municípios apresentam condições mais favoráveis nos indicadores avaliados pelo Tesouro Nacional.
As 16 cidades com nota A são:
Araruama, Arraial do Cabo, Cantagalo, Iguaba Grande, Itatiaia, Macaé, Maricá, Nilópolis, Niterói, Porto Real, Queimados, Resende, Rio das Ostras, Sapucaia, São João da Barra e Valença.
Na Região dos Lagos, aparecem nesse grupo Araruama, Arraial do Cabo, Iguaba Grande e Rio das Ostras.
Municípios com nota B
Outras sete cidades receberam nota B, considerada uma classificação fiscal favorável para a análise de operações de crédito.
São elas:
Cabo Frio, Mesquita, Paty do Alferes, Piraí, Rio de Janeiro, Silva Jardim e São José do Vale do Rio Preto.
A presença de Cabo Frio e da capital Rio de Janeiro entre os municípios com nota B indica que as duas prefeituras aparecem, na prévia, em situação mais favorável para solicitar empréstimos com garantia federal.
Por que uma nota ruim afeta os municípios
Sem condições de obter a garantia da União, as prefeituras podem ter mais dificuldades para conseguir financiamentos com juros menores e prazos mais longos em instituições como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Esses financiamentos costumam ser utilizados para obras de saneamento, pavimentação, mobilidade urbana, construção de hospitais, escolas e outras estruturas públicas.
Municípios com situação fiscal comprometida acabam dependendo mais de recursos próprios, transferências obrigatórias e emendas parlamentares para realizar grandes investimentos.
O levantamento mais recente mostra que 41 cidades do Rio têm nota C, 21 estão sem nota disponível e outras sete aparecem como não elegíveis. Apenas 23 das 92 prefeituras fluminenses possuem notas A ou B, consideradas mais favoráveis na avaliação da capacidade de pagamento.
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