RIO — Presa nesta quarta-feira (3) durante a Operação Tela Falsa, a investigada Michele Coelho Montenegro ocupava um cargo na Secretaria de Estado da Casa Civil com salário bruto de aproximadamente R$ 16 mil mensais, mesmo sendo alvo de diversas anotações criminais e se apresentando como advogada sem possuir registro profissional na OAB.
Segundo apuração, Michele utilizava o nome “Mia Montenegro” e foi nomeada para o cargo em outubro do ano passado. De acordo com a Polícia Civil, ela é apontada como a principal responsável por um esquema de fraudes envolvendo obras de arte e imóveis de alto padrão, que teria causado prejuízos milionários às vítimas.
As investigações indicam que a acusada se apresentava como herdeira de uma grande fortuna, empresária e advogada para conquistar a confiança de galeristas e investidores. No entanto, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) informou que ela consta apenas como estagiária.
Ainda segundo a polícia, Michele utilizava o mesmo CPF associado a nomes diferentes e acumula 17 anotações criminais. O Ministério Público do Rio de Janeiro a denunciou por estelionato e apropriação indébita qualificada.
Após a prisão, a Casa Civil informou que a servidora foi nomeada na gestão anterior, antes da implementação de mecanismos de compliance para nomeações, e anunciou que sua exoneração será publicada em edição extraordinária do Diário Oficial.
A Operação Tela Falsa investiga um esquema que envolvia negociações fraudulentas de obras de arte e de um imóvel de luxo em Copacabana. A Justiça decretou a prisão preventiva da acusada, e a Polícia Civil continua apurando a participação de outras pessoas no caso.
