RIO DE JANEIRO — O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, chegou à sede da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (2) para os procedimentos de transferência a um presídio federal, após ser alvo de um novo mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Mesmo já encarcerado, Bacellar voltou a ser atingido pela 5ª fase da Operação Unha e Carne, que aprofunda investigações sobre lavagem de dinheiro, jogo do bicho, a chamada “Máfia do Cigarro” e possíveis conexões do esquema com agentes públicos dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
A nova etapa da operação também teve mandados contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como chefe do esquema, e contra o pastor Marcio Poncio, preso em um flat na Barra da Tijuca. Segundo a investigação, a fase busca apurar indícios de pagamentos, movimentações financeiras e possível atuação de uma rede de influência envolvendo contravenção, política e lavagem de capitais.
A situação de Rodrigo Bacellar chama atenção pelo histórico recente. O ex-deputado já havia sido preso em fases anteriores da Operação Unha e Carne, que começou investigando suspeitas de vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho. Depois, a apuração avançou para uma possível cadeia de proteção institucional ao crime organizado e agora chega a novos indícios ligados ao jogo do bicho e à Máfia do Cigarro.
Na primeira fase da operação, Bacellar foi investigado por supostamente vazar informações de uma ação policial contra o crime organizado. Ele chegou a ser preso preventivamente, foi solto dias depois por decisão política no plenário da Alerj e passou a cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Em março de 2026, na terceira fase da operação, o ex-presidente da Alerj foi preso novamente em Teresópolis, na Região Serrana, após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso da Ceperj e depois de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Agora, com a nova ordem de prisão, Bacellar volta ao centro de uma das investigações mais sensíveis da política fluminense. A transferência para um presídio federal é mais um capítulo da queda de um dos nomes que já estiveram entre os mais poderosos da política do Estado do Rio.
A decisão também determinou o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões. Além dos mandados de prisão, a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão contra outros alvos, incluindo nomes ligados à política estadual.
A investigação está inserida no contexto da ADPF das Favelas, no STF, que determinou a atuação da Polícia Federal em apurações sobre grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro e suas possíveis conexões com agentes públicos.
O caso segue em investigação, e os citados ainda terão direito à defesa. Até uma decisão final da Justiça, não há condenação definitiva sobre os fatos apurados.
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