EUA afirmam que domínio sobre as Américas “nunca mais será questionado”

Redação
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O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nesta terça-feira (11) um vídeo sobre a Doutrina Monroe e afirmou que a “dominância norte-americana” no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”. A publicação recupera uma política formulada há mais de 200 anos e a relaciona à atual estratégia externa do governo de Donald Trump.

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No vídeo, com mais de cinco minutos, o governo americano apresenta a origem da Doutrina Monroe, anunciada pelo presidente James Monroe ao Congresso dos Estados Unidos em 1823. O princípio surgiu como uma oposição a novas tentativas de colonização ou intervenção de potências europeias no continente americano.

Ao abordar a aplicação da doutrina ao longo da história, o Departamento de Estado cita episódios como a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, e a política adotada pelo governo Ronald Reagan contra grupos de esquerda apoiados pela União Soviética na América Latina durante a Guerra Fria.

A publicação também relaciona a estratégia ao atual governo Trump e reforça que o Hemisfério Ocidental ocupa posição prioritária na política externa americana.

A interpretação da Doutrina Monroe sofreu mudanças desde o século XIX. Em 1904, o então presidente Theodore Roosevelt apresentou o chamado Corolário Roosevelt, que ampliou a política ao defender a possibilidade de intervenção dos Estados Unidos em países latino-americanos em determinadas circunstâncias.

Na atual Estratégia de Segurança Nacional americana, Washington defende impedir que potências externas ao Hemisfério Ocidental ampliem presença ou passem a controlar ativos considerados estratégicos na região.

A política também aparece associada a temas como combate ao tráfico internacional de drogas, imigração irregular e atuação de organizações criminosas transnacionais.

Disputa por influência com a China

A publicação ocorre em meio à disputa entre Estados Unidos e China por influência econômica e estratégica na América Latina.

A tensão ganhou um novo capítulo depois que Pequim pediu para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

O Brasil acionou formalmente o mecanismo de consultas da OMC para questionar as medidas comerciais americanas. A etapa antecede uma eventual abertura de painel para analisar a disputa caso os países não cheguem a um entendimento.

A entrada da China nas consultas acrescenta um componente geopolítico ao impasse. Pequim é um dos principais parceiros comerciais brasileiros e disputa com Washington espaço econômico e estratégico em diferentes países da América Latina.

As relações entre Brasil e Estados Unidos também atravessam um período de tensão, marcado por divergências comerciais e diplomáticas entre os governos Lula e Trump.

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