Empreendedora de Angra dos Reis vence etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios

Redação
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A empreendedora Beatriz Mattiuzzo, fundadora da Marulho Produtos Criativos, de Angra dos Reis, conquistou o primeiro lugar na categoria Pequenos Negócios da etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. A cerimônia foi realizada nesta quinta-feira (3/9), na sede do Sebrae Rio, e reuniu empreendedoras de diferentes regiões do estado.

Criado para reconhecer trajetórias femininas de empreendedorismo, o prêmio completa 20 anos nesta edição. Cerca de mil mulheres se inscreveram em todo o estado do Rio de Janeiro. Desse total, 187 foram selecionadas como finalistas por suas histórias de superação, inovação, impacto social e geração de renda. Além de Pequenos Negócios, há outras quatro categorias (MEI, Produtora Rural ou Artesã, Negócios Internacionais, Ciência e Tecnologia) e as três primeiras colocadas de cada uma foram premiadas na etapa estadual.

Beatriz conta que acompanha o prêmio há vários anos e encontra inspiração nas trajetórias das participantes e vencedoras. Para ela, o reconhecimento também valoriza o trabalho coletivo desenvolvido pela Marulho junto às comunidades tradicionais da Ilha Grande.

“Receber esse prêmio é uma grande honra. Sempre acompanhei as histórias de outras mulheres e me inspirei nelas. A maior vitória da Marulho é termos construído uma gestão inteiramente feminina, formada por mulheres incríveis, muitas delas caiçaras da região. Hoje, sinto-me amparada por essa equipe e acredito que uma das nossas maiores qualidades é justamente levantar umas às outras”, afirma Beatriz.

Fundada na Praia do Matariz, na Ilha Grande, a Marulho é um negócio de impacto socioambiental que recolhe redes de pesca usadas e sem utilidade, evitando que o material seja descartado no mar. As redes são transformadas em bolsas, sacolas, sandálias, acessórios e produtos personalizados, confeccionados com a participação de pescadores, redeiros e costureiras caiçaras.

Redes descartadas se transformam em novos produtos na Marulho Produtos Criativos – Foto Acervo da Marulho

Desde 2020, a iniciativa já recolheu 27 toneladas de redes de pesca e produziu mais de 90 mil itens com o material reaproveitado. De acordo com a empresa, o projeto também gerou aproximadamente R$ 1 milhão em renda adicional para os moradores envolvidos. Com base em referências sobre os impactos da pesca fantasma, a Marulho estima que a quantidade de redes retirada de circulação tenha evitado riscos para cerca de 3 milhões de animais marinhos.

Para Beatriz, um dos maiores desafios da trajetória foi desenvolver um modelo de negócio inovador, sem referências prontas, combinando sustentabilidade, impacto social, geração de renda e valorização da cultura caiçara.

“Criar algo tão novo, sem um manual ou caminho definido, exigiu muita resiliência. Empreender já é desafiador e se torna ainda mais difícil quando somos mulheres e enfrentamos dúvidas externas e internas sobre a nossa capacidade. Por isso, esse reconhecimento é tão importante para nós”, ressalta.

O Sebrae acompanha a trajetória da Marulho desde a pandemia, quando Beatriz participou do Sebrae Impacta. A capacitação contribuiu para que a empreendedora identificasse o posicionamento da empresa no campo dos negócios de impacto. Atualmente, com o empreendimento mais estruturado, a parceria continua apoiando os planos de expansão da iniciativa para outras comunidades costeiras da Costa Verde.

“O Sebrae começou a abrir a minha cabeça para compreender qual era o lugar da Marulho no universo do empreendedorismo de impacto. Agora, estamos nos preparando para apoiar outras comunidades costeiras da região e, mais uma vez, o Sebrae está ao nosso lado nesse processo”, acrescenta Beatriz.

Samara Oliveira representou Beatriz na entrega do prêmio – Divulgação Sebrae Rio

A empreendedora não pôde comparecer à cerimônia por estar viajando e foi representada por Samara Oliveira, integrante da Marulho.

“A Marulho atua para combater uma das formas mais perigosas de poluição marinha: as redes de pesca descartadas, que podem permanecer nos oceanos capturando animais e provocando a chamada pesca fantasma. Ao mesmo tempo, preservamos os conhecimentos tradicionais caiçaras relacionados à pesca e à costura, transformando esse material em novos produtos e gerando renda para as comunidades”, explica Samara.

Como vencedora de uma das cinco categorias em âmbito estadual, Beatriz seguirá para a fase regional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, que neste ano tem como tema “Cuidar de si faz parte do sucesso”. As vencedoras de cada uma das sete regiões brasileiras avançarão para a etapa nacional, na qual concorrerão a prêmios em dinheiro, participação gratuita no Empretec, missão técnica e mentoria on-line.

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