Foto: CSN
Decisões sobre as vendas de ativos estão concentradas na sede da Faria Lima
Volta Redonda – A Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, cujas operações têm sede em Volta Redonda, colocou à venda uma fatia de seu braço de infraestrutura e logística, avaliado em até R$ 21 bilhões. O processo foi confirmado pela própria empresa ao Pipeline, na última segunda-feira, dia 15 de junho, e os bancos Citibank e Bradesco BBI receberam o mandato para buscar compradores. A CSN quer levantar US$ 1 bilhão com a operação.
O movimento chama atenção por um detalhe: em abril de 2025, a CSN concluiu a aquisição de 70% do capital social da Estrela Comércio e Participações, holding do Grupo Tora, em transação de R$ 742,5 milhões.
Com mais de 50 anos de experiência, a Tora é uma das maiores operadoras logísticas do Brasil, com receita anual acima de R$ 1 bilhão, frota de 2.600 veículos próprios e mais de 2.300 empregados diretos. Menos de 14 meses depois de fechar o negócio, a CSN já negocia a venda de parte dessa mesma empresa.
O pacote à venda
O pacote reúne a participação da CSN na ferrovia MRS Logística, os terminais Tecar, de granéis sólidos, e Tecon, de contêineres, em Itaguaí, e a transportadora rodoviária Grupo Tora.
O terminal Tecar, localizado no Porto de Itaguaí, entre Rio de Janeiro e Mangaratiba, tem capacidade para exportar 45 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. O Tecon é o maior terminal de contêineres do Rio de Janeiro.
A administração pretende vender entre 20% e 40% da plataforma, mantendo o controle, em operação que levantaria entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em caixa.
Por que a CSN está vendendo
A resposta está no balanço. Ao fim do primeiro trimestre de 2026, a dívida líquida da companhia somava R$ 40,5 bilhões, acima dos R$ 35,8 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 555 milhões no período, redução de 24,2% em relação ao resultado negativo de R$ 732 milhões do primeiro trimestre de 2025.
A venda dos ativos de infraestrutura faz parte de um programa mais amplo de desinvestimentos anunciado pela CSN em janeiro de 2026, com meta de reciclar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em ativos. Analistas estimam que a venda pode reduzir a alavancagem da empresa de 3,4 vezes para a faixa superior de 2 vezes a relação dívida líquida/Ebitda, além de gerar economia bruta anual de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões em despesas com juros.
CSN diz que que “não haverá dificuldades em encontrar investidores interessados”
A operação tem impacto direto no Sul Fluminense. A CSN é o maior empregador industrial da região, com a usina Presidente Vargas em Volta Redonda como centro das operações siderúrgicas. Os terminais portuários de Itaguaí e a malha ferroviária da MRS Logística, que corta cidades como Barra do Piraí, Volta Redonda, Barra Mansa e Resende, são artérias estratégicas para o escoamento da produção regional. Uma eventual entrada de novo sócio nesses ativos pode trazer novos investimentos e ampliar a capacidade operacional da infraestrutura que serve o Vale do Paraíba Fluminense e o Sul Fluminense.
Em nota, a CSN afirmou que “não haverá dificuldades em encontrar investidores interessados, uma vez que alguns já estão em contato com as instituições financeiras.”

