RIO DE JANEIRO (RJ) — A possível redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 provocaram uma reação de entidades ligadas à construção civil e ao mercado imobiliário fluminense. A Ademi-RJ e o Sinduscon-Rio defendem que eventuais mudanças sejam precedidas de estudos técnicos e de uma discussão mais ampla entre trabalhadores, empregadores e poder público.
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O posicionamento ocorre após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovar, nesta quarta-feira (2), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê mudanças na jornada de trabalho. Ainda não há previsão para a análise da proposta pelo plenário.
As duas entidades fluminenses acompanham a posição da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), representante nacional do setor.
Embora reconheçam como legítima a discussão sobre novas formas de organização do trabalho, as entidades argumentam que uma alteração dessa dimensão pode produzir impactos diferentes conforme o segmento da economia.
Setor teme aumento de custos e impacto nos imóveis
O presidente da Ademi-RJ, Leonardo Mesquita, afirma que a discussão deve buscar um equilíbrio entre melhores condições para os trabalhadores e a manutenção da capacidade de investimento e geração de empregos pelas empresas.
Segundo Mesquita, mudanças que provoquem aumento significativo dos custos no mercado imobiliário podem acabar refletindo na produção e nos preços dos imóveis.
Já o presidente do Sinduscon-Rio, Claudio Hermolin, destaca que a construção civil depende diretamente do planejamento das equipes, das diferentes etapas dos projetos e do cumprimento de cronogramas.
Na avaliação dele, uma alteração ampla da jornada sem considerar essas particularidades pode elevar custos e aumentar os prazos de execução, com possíveis reflexos tanto em obras privadas quanto públicas.
Entidades defendem discussão fora do calendário eleitoral
Ademi-RJ e Sinduscon-Rio também acompanham a avaliação da CBIC de que uma decisão com impactos econômicos e sociais dessa dimensão não deveria ser tomada em meio ao calendário eleitoral.
Para as entidades, o debate precisa avançar em um ambiente que permita analisar efeitos de curto e longo prazo antes de uma eventual mudança constitucional.
A posição defendida pelo setor é de que sejam consideradas questões como produtividade, geração de empregos, custos, investimentos e condições de trabalho antes da votação definitiva da proposta.
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