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Volta Redonda – Um caso clínico raro acompanhado por estudantes e professores do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) deixou o ambiente hospitalar e se transformou em produção científica. O trabalho, desenvolvido por alunos do curso de Medicina em parceria com docentes da instituição, foi publicado na Revista Brasileira de Cancerologia, periódico científico do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
O artigo “Ressecção Abdominoperineal do Reto em Paciente com Vírus da Imunodeficiência Humana e Carcinoma Espinocelular do Canal Anal: Relato de Caso” tem como autores Gabriela Caravana Silva São Thiago, Lara Francisca Vaz de Oliveira, Gabriel Mohamad Arieira de Souza Ghazzaoui, Biazi Ricieri Assis e Igor Dutra Braz.
A publicação apresenta o relato de um paciente atendido no Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA), diagnosticado com carcinoma espinocelular do canal anal e sorologia positiva para HIV. O estudo aborda a complexidade do tratamento desse tipo de câncer e destaca a importância da vigilância e do diagnóstico precoce em grupos de maior risco.
A ideia de transformar o caso em artigo surgiu durante a rotina acadêmica e assistencial. O potencial científico foi identificado inicialmente pelo professor Biazi Ricieri Assis, cirurgião responsável pelo atendimento do paciente, que convidou os estudantes a acompanharem o caso e avaliarem a possibilidade de desenvolver um relato científico. A proposta foi apresentada ao professor Igor Dutra Braz, que assumiu a orientação do trabalho.
Segundo Gabriela São Thiago, a intenção de desenvolver uma pesquisa já existia antes mesmo da definição do tema.
“Quando iniciei o módulo em que precisaríamos desenvolver o Trabalho de Conclusão de Módulo, eu já tinha um objetivo muito claro: queria produzir uma pesquisa relevante, que agregasse valor ao meu currículo acadêmico e também contribuísse para minha futura residência médica”, contou.
A partir do convite para acompanhar o caso, o grupo iniciou uma revisão da literatura, organizou as informações clínicas e estruturou o manuscrito. Posteriormente, o trabalho também foi transformado em projeto de iniciação científica.
Para Gabriela, a escolha da revista foi uma das etapas mais marcantes do processo. A estudante sugeriu a submissão à Revista Brasileira de Cancerologia, mesmo diante dos critérios de seleção do periódico.
“Sabíamos que era uma revista de grande qualidade e que a aprovação seria um desafio. Mesmo assim, sempre acreditei que o caso tinha relevância suficiente para ser publicado. Costumo dizer que o não eu já tinha; eu estava em busca do sim. Felizmente, todo o empenho da equipe foi recompensado com a aprovação e a publicação do artigo”, afirmou.
O trabalho começou em agosto de 2024, foi concluído em dezembro de 2025 e publicado em julho de 2026. Durante esse período, os estudantes participaram de etapas como revisão da literatura, elaboração do manuscrito, discussões científicas, submissão e acompanhamento do processo editorial.
Para Lara Francisca Vaz de Oliveira, participar da produção do artigo mostrou que a pesquisa científica pode fazer parte da formação acadêmica desde a graduação.
“Participar desse trabalho foi uma experiência bem diferente do que eu tinha vivido até então. Por ser um caso pouco comum, foi muito interessante ver como a gente consegue relacionar o que acontece na prática com o que já foi publicado na literatura para construir um trabalho científico”, relatou.
A estudante também destacou a importância de participar diretamente da produção de conhecimento.
“Muitas vezes, a gente acaba vendo a pesquisa como algo distante da nossa realidade, mas participar desse trabalho me mostrou que, com a orientação dos professores, é possível fazer parte desse processo. A graduação também é um espaço para aprender, produzir conhecimento e crescer profissionalmente”, afirmou.
Gabriel Mohamad Arieira de Souza Ghazzaoui acompanhou o caso na prática e, posteriormente, participou da transformação da experiência em relato científico. Para ele, o processo exigiu uma mudança na forma de observar o atendimento.
“O que mais me marcou foi essa sensação de estar contando a mesma história duas vezes, de formas completamente diferentes. Primeiro eu vivi o caso, as consultas, as dúvidas do paciente, a cirurgia e a recuperação. Depois precisei recontá-lo com outro olhar, mais técnico, pensando em quem fosse ler”, explicou.
Segundo Gabriel, a experiência também mudou sua percepção sobre a relação entre assistência e pesquisa.
“A pesquisa deixou de ser algo distante da rotina clínica e passou a ser vista como parte natural do cuidado ao paciente. Cada caso carrega potencial de ensino e contribuição para a comunidade médica”, completou.
Professor do curso de Medicina do UniFOA e diretor de Ensino do H.FOA, Igor Dutra Braz avaliou que os estudantes participaram de diferentes etapas do trabalho.
“Os estudantes foram protagonistas desde o início do projeto. A participação deles não se limitou à execução de tarefas específicas. Eles acompanharam todas as etapas da produção científica, desde a identificação do caso, coleta e organização dos dados, até a revisão da literatura, discussão dos resultados e redação do manuscrito”, afirmou.
Igor também destacou a participação de Gabriela na condução do trabalho.
“A Gabriela exerceu uma liderança natural ao longo de todo o desenvolvimento do trabalho. Ela tomou a iniciativa de dar início ao projeto, fez a articulação entre os estudantes, os professores orientadores, o paciente e os diferentes serviços envolvidos, garantindo que todas as etapas acontecessem de forma organizada”, destacou.
Para o professor, a participação em uma produção científica durante a graduação contribui para o desenvolvimento de habilidades que vão além do conteúdo aprendido em sala de aula.
“O estudante desenvolve pensamento crítico, capacidade de analisar evidências, raciocínio científico, escrita acadêmica e habilidade para interpretar e comunicar resultados. Também aprende a trabalhar em equipe, gerenciar projetos, cumprir aspectos éticos da pesquisa e dialogar com diferentes profissionais”, explicou.
A publicação do artigo na Revista Brasileira de Cancerologia representa uma etapa da formação dos estudantes envolvidos e aproxima as atividades de ensino, assistência e pesquisa desenvolvidas pelo UniFOA e pelo H.FOA.
Para Igor, a experiência também demonstra a importância da aproximação entre estudantes, professores e serviços de saúde.
“A proximidade entre os serviços assistenciais, os professores e os estudantes cria oportunidades para que casos relevantes sejam identificados, investigados e convertidos em produção científica de qualidade. O mais gratificante é ver os estudantes assumindo esse protagonismo e alcançando uma publicação em um periódico de grande relevância nacional ainda durante a graduação”, afirmou.
O trabalho mostra como uma experiência da rotina hospitalar pode se transformar em investigação científica durante a graduação, envolvendo estudantes e professores em diferentes etapas, da identificação do caso à publicação dos resultados.
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