Campanha nem começou, e morte de candidato na Baixada acende alerta para violência nas eleições

Redação
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BAIXADA FLUMINENSE — A campanha eleitoral de 2026 ainda nem começou oficialmente, mas a morte de um candidato na Baixada Fluminense já acende um alerta sobre a segurança de quem pretende disputar as eleições no Estado do Rio.

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Wallace Sacramento, candidato a deputado federal pelo Republicanos, morreu após ser atingido por um disparo na tarde de segunda-feira (3), em São João de Meriti.

A propaganda eleitoral nas ruas e na internet somente será permitida a partir de 16 de agosto. Portanto, o caso aconteceu quase duas semanas antes do início oficial da campanha.

Polícia ainda apura a dinâmica

A versão inicial aponta que Wallace caminhava em direção a um carro quando um homem que estava próximo foi abordado por um suspeito.

Durante a ação, um veículo se aproximou e um ocupante efetuou disparos. Um policial militar se apresentou posteriormente e afirmou ter reagido à tentativa de assalto.

Wallace acabou atingido e foi levado em estado gravíssimo ao Hospital Municipal de São João de Meriti, mas não resistiu.

A Polícia Civil ainda busca esclarecer se a morte ocorreu realmente em consequência do assalto, de qual arma partiu o tiro e qual foi a participação de cada pessoa envolvida.

Até o momento, não existe confirmação de que Wallace tenha sido escolhido como alvo nem de que o crime tenha motivação política.

Histórico preocupa na Baixada

Mesmo sem a confirmação de crime político no caso de Wallace, a morte ocorre em uma região marcada por episódios de violência contra candidatos, vereadores, lideranças comunitárias e pessoas ligadas à política.

Um estudo desenvolvido pelo Observatório de Favelas em parceria com pesquisadores da UFF e da Uerj identificou 60 assassinatos políticos na Baixada Fluminense desde 2015, considerando os dados contabilizados até junho de 2024. Entre 2022 e o primeiro semestre de 2024, foram registradas na região 12 execuções e 13 atentados contra a vida com motivação política apontada pela pesquisa.

Levantamento anterior já havia mapeado 43 atores políticos assassinados entre 2015 e 2020 na Baixada. Os dados mostram que a violência letal não aparece apenas durante as campanhas, mas também nos meses de preparação das candidaturas e de formação dos grupos políticos.

Violência aumenta durante as eleições

O problema não se limita ao Rio de Janeiro. Em 2024, o Brasil registrou 558 casos de violência política, incluindo 27 assassinatos, 129 atentados e 224 ameaças, segundo levantamento da Terra de Direitos e da Justiça Global.

Quase três quartos das ocorrências daquele ano foram registrados entre agosto e outubro, justamente durante o período eleitoral. O número transformou 2024 no ano mais violento da série histórica iniciada em 2016.

Somente durante os 52 dias da campanha do primeiro turno de 2024, foram contabilizados 10 assassinatos e 100 atentados contra candidatos ou políticos em exercício no país.

Morte aumenta pressão por segurança

A morte de Wallace Sacramento aumenta a preocupação de partidos, candidatos e apoiadores que iniciarão atividades públicas nas próximas semanas.

Caminhadas, reuniões, carreatas e visitas a comunidades ampliam a exposição dos candidatos, especialmente em regiões onde existem disputas territoriais envolvendo grupos criminosos.

O esclarecimento do caso será fundamental para determinar se Wallace foi vítima de uma ocorrência comum, se foi atingido durante a reação ao assalto ou se existe outra circunstância ainda desconhecida.

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