COMENDADOR LEVY GASPARIAN — A Câmara Municipal de Comendador Levy Gasparian entrou no radar após informações disponíveis no próprio portal de transparência apontarem gastos que chamam atenção para uma cidade pequena. Entre os pontos estão o aumento da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar Municipal (CEAPM), contratos administrativos de valores elevados e pagamentos por meio de suprimento financeiro a servidores.
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A CEAPM, também conhecida como verba de gabinete, é destinada ao custeio de despesas dos vereadores ligadas ao exercício do mandato. O valor, que era de R$ 1 mil mensais em 2024, passou para R$ 2 mil mensais em 2025, dobrando de um ano para o outro.
Na prática, cada vereador passou a ter direito a uma verba maior para despesas da atividade parlamentar. A mudança levanta questionamentos sobre a necessidade do aumento, a forma de utilização dos recursos e a prestação de contas apresentada à população.
Outro ponto que chama atenção está na relação de contratos da Câmara. Um dos registros mostra contrato de R$ 111 mil com a empresa Athus Tecnologia Unipessoal Ltda, para sistema de gestão de processos eletrônicos. O contrato original é de 2022 e teve aditivos de prorrogação para os anos seguintes.
Também aparece contrato de R$ 72 mil com a empresa Construtora e Conservadora Três Pontos Ltda, para serviços especializados de assessoria e consultoria em gestão pública, manifestação e defesa junto ao Tribunal de Contas. O contrato também teve prorrogações registradas.
Além dos contratos, publicações no Diário Oficial mostram a concessão de suprimentos financeiros a servidores. Em 2024, houve registro de R$ 5 mil para uma servidora. Em dezembro do mesmo ano, outra publicação indicou R$ 4,8 mil para uma servidora. Já em 2025, apareceram novos registros, incluindo R$ 3,5 mil e R$ 2 mil em suprimentos financeiros.
O suprimento financeiro é uma ferramenta prevista na administração pública, mas exige justificativa, finalidade clara e prestação de contas. Por isso, os valores chamam atenção e abrem espaço para cobrança sobre notas fiscais, comprovantes, empenhos e relatórios de utilização.
O conjunto de informações não aponta, por si só, ilegalidade. Mas expõe uma Câmara com aumento de verba parlamentar, contratos prorrogados e repasses administrativos que precisam ser explicados de forma clara ao cidadão.
Em uma cidade pequena, onde cada real público pesa no bolso da população, a transparência não pode se limitar a publicar planilhas e portarias. É preciso explicar o motivo dos gastos, quem recebeu, para quê recebeu e qual benefício concreto foi entregue ao contribuinte.
A Câmara de Levy Gasparian tem agora a oportunidade de esclarecer os pontos levantados e mostrar, com documentos, como os recursos públicos estão sendo aplicados. Até lá, os números seguem provocando perguntas dentro e fora do Legislativo.
O Portal Rlagos Notícias tentou contato com a Câmara de Levy mais até o fechamento da reportagem não tivemos respostas, o espaço está aberto.
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