BÚZIOS — A Praça dos Ossos, cenário de um dos crimes contra mulheres mais emblemáticos da história brasileira, passou a contar com um Banco Vermelho em memória de Ângela Diniz e de outras vítimas de feminicídio. A homenagem integra a ação “Búzios por Elas”, promovida nesta terça-feira (25) pela Secretaria Municipal da Mulher.
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A escolha do local está diretamente ligada à história de Ângela. Conhecida como “Pantera de Minas”, ela tinha 32 anos quando foi assassinada a tiros pelo então companheiro, Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, em 30 de dezembro de 1976, em uma casa de veraneio na Praia dos Ossos, em Armação dos Búzios.
Quase 50 anos depois, a instalação do banco no mesmo bairro transforma o espaço em um ponto de memória e conscientização sobre a violência contra a mulher.
Um crime que mudou o debate no Brasil
O assassinato de Ângela Diniz ganhou repercussão nacional não apenas pelo crime, mas também pelo julgamento de Doca Street e pela forma como a vítima foi retratada durante sua defesa.
No primeiro julgamento, realizado em 1979, a defesa utilizou a tese da chamada “legítima defesa da honra”, sustentando que Doca teria agido após ser provocado pela vítima. Ele recebeu inicialmente uma pena de dois anos, com direito a cumprir a condenação em liberdade.
O resultado provocou forte reação de movimentos de mulheres e ajudou a impulsionar a mobilização sintetizada pela frase “Quem ama não mata”, que se tornou símbolo da luta contra a violência de gênero no país.
Após a repercussão, houve um novo julgamento, e Doca Street foi condenado a 15 anos de prisão.
Décadas depois, em 2021, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o uso da tese de legítima defesa da honra em casos de feminicídio ou agressão contra mulheres.
Banco também representa outras vítimas
Embora a homenagem em Búzios tenha Ângela Diniz como figura central, o Banco Vermelho também simboliza mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pela violência.
A iniciativa fez parte do “Búzios por Elas”, ação voltada a aproximar a população da rede municipal de proteção e ampliar o acesso a informações sobre atendimento, orientação e serviços disponíveis às mulheres.
A instalação na Praça dos Ossos associa, assim, um local marcado por um crime que repercutiu em todo o país a uma mensagem permanente de memória e enfrentamento à violência.
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