Banco extinto há mais de 60 anos vira alvo da Polícia Civil em investigação bilionária no Rio

Redação
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RIO — Um banco que encerrou oficialmente suas atividades há mais de 60 anos voltou a existir no papel e agora está no centro de uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A Delegacia de Defraudações deflagrou, nesta quinta-feira (25), uma operação para apurar uma suposta fraude envolvendo a reativação do Banco de Crédito Móvel S.A. (BCM), instituição liquidada na década de 1960 e que teria sido utilizada para reivindicar créditos superiores a R$ 1 bilhão e direitos sobre terrenos avaliados em até R$ 2,5 bilhões, na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes.

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Durante a operação, policiais civis cumpriram 12 mandados de busca e apreensão em imóveis de alto padrão localizados na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Glória, Tijuca, Copacabana, Gávea e Botafogo.

Entre os alvos estão acionistas ligados ao antigo banco e integrantes da alta cúpula da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja), incluindo o vice-presidente Affonso D’Anzicourt Silva, o secretário-geral Gabriel Oliveira de Souza Voi e o ex-presidente Sergio Tavares Romay.

Segundo as investigações, pessoas apresentadas como acionistas teriam sido utilizadas para reconstruir artificialmente a estrutura societária do banco, dando aparência de legalidade à empresa para reivindicar um crédito bilionário contra o Estado do Rio de Janeiro.

O caso envolve uma antiga disputa judicial sobre um terreno de aproximadamente 153 mil metros quadrados, localizado no Recreio dos Bandeirantes. Considerando a atualização dos valores, as indenizações relacionadas à área podem alcançar R$ 2,5 bilhões.

A investigação também apura possíveis ligações entre os envolvidos e fraudes imobiliárias, invasões de terrenos na Barra da Tijuca e construção de condomínios irregulares na Zona Oeste.

Caso começou em 2025

A controvérsia ganhou repercussão nacional em março de 2025, quando foi revelado que o Banco de Crédito Móvel, oficialmente liquidado em 1964, havia sido reativado por meio de registros arquivados na Jucerja.

Na ocasião, a empresa passou a atuar sob o nome BCM Ativos Imobiliários, reivindicando a titularidade de um precatório superior a R$ 1 bilhão, além de direitos sobre áreas valorizadas da Zona Oeste.

A reativação ocorreu apesar de parecer contrário da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que posteriormente ingressou na Justiça para impedir o levantamento dos recursos.

Documentos analisados na época também mencionavam a existência de “grande quantidade de negociações e tratativas políticas” envolvendo a empresa.

Outro ponto que chamou atenção foi a indicação de Mariana Felippe, então responsável pela regularização fundiária do Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj), para integrar a diretoria jurídica da companhia. Ela é casada com o deputado estadual Jorge Felippe Neto (PL).

Na ocasião, o Governo do Estado negou qualquer favorecimento à empresa, informou que a Procuradoria já havia adotado medidas judiciais para impedir o pagamento dos precatórios e afirmou que Mariana Felippe nunca chegou a assumir o cargo na companhia, permanecendo no Iterj.

Polícia apura fraude patrimonial

Para os investigadores, a reativação do banco pode ter servido como instrumento para dar aparência de legalidade à disputa por créditos públicos e áreas de altíssimo valor imobiliário.

Os materiais apreendidos durante a operação passarão por perícia. A Polícia Civil pretende esclarecer quem articulou a reativação do banco, qual foi o papel de agentes públicos e particulares no processo e se a estrutura da instituição foi utilizada para tentar obter, de forma irregular, bilhões de reais em precatórios e direitos sobre imóveis na Zona Oeste do Rio.

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