BRASÍLIA (DF) — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar nesta quarta-feira (16) uma nova redução da taxa básica de juros do país. A expectativa predominante entre instituições financeiras e consultorias é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic dos atuais 14% para 13,75% ao ano.
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Esta será a última reunião do Copom antes das eleições presidenciais de 2026. Apesar da expectativa de novo corte, o mercado aguarda um comunicado cauteloso do Banco Central, sem indicação clara sobre o que poderá ocorrer na reunião seguinte, marcada para novembro.
Levantamento do Valor Pro com 120 instituições financeiras e consultorias mostra que 118 projetam a Selic em 13,75% após a reunião desta quarta. Apenas duas esperam a manutenção dos juros em 14%.
Para novembro, entretanto, as projeções estão praticamente divididas: 60 instituições esperam pelo menos mais um corte, enquanto 59 projetam uma pausa. Uma não respondeu.
Quinto corte consecutivo
Se a expectativa se confirmar, esta será a quinta redução consecutiva da Selic desde março, quando o Banco Central começou o atual ciclo de queda.
A taxa estava em 15% ao ano antes do início das reduções e chegou aos atuais 14%, uma diminuição acumulada de 1 ponto percentual. O Copom vem realizando cortes graduais de 0,25 ponto.
Na reunião de agosto, o Banco Central evitou antecipar seus próximos passos e destacou que as incertezas econômicas, as expectativas de inflação acima da meta e os riscos para os preços exigiam “cautela e serenidade”.
Inflação segue no radar do Banco Central
O objetivo da política de juros é conduzir a inflação para a meta de 3% ao ano, que possui intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Em agosto, o Banco Central projetava inflação de 3,2% no primeiro trimestre de 2028, período atualmente considerado pela autoridade monetária em suas decisões.
Alguns indicadores recentes reforçaram a expectativa de redução dos juros. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre, mostrando sinais de desaceleração da atividade, enquanto o IPCA de agosto registrou queda de 0,32%.
Por outro lado, as expectativas de inflação permanecem acima da meta. Segundo o Boletim Focus, o mercado projeta inflação de 4,90% em 2026, 4,30% em 2027 e 3,80% em 2028.
Cenário externo aumenta cautela
O ambiente internacional também pesa na decisão do Copom. Entre os fatores acompanhados estão as tensões no Oriente Médio, a alta do petróleo e as perspectivas para os juros nos Estados Unidos.
A combinação desses elementos com as incertezas fiscais e eleitorais no Brasil ajuda a explicar a expectativa de que, mesmo reduzindo a Selic nesta quarta, o Banco Central mantenha uma comunicação cautelosa sobre os próximos passos.
A decisão sobre a taxa básica de juros será divulgada após o encerramento da reunião do Copom nesta quarta-feira.
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