RIO DE JANEIRO — Uma declaração do ex-prefeito do Rio e pré-candidato ao Governo do Estado Eduardo Paes (PSD) contra Márcio Canella (União Brasil) provocou forte reação nas redes sociais nesta terça-feira (7). Depois da prisão de Canella e da apreensão de um fuzil pela Polícia Federal, Paes publicou um vídeo questionando quem circula com esse tipo de armamento e afirmou que a situação “não é normal”.
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A crítica, porém, rapidamente virou munição contra o próprio pré-candidato. Usuários passaram a resgatar um episódio de 2022 envolvendo Washington Reis (MDB), aliado político de Paes, que também teve um fuzil apreendido durante uma operação da Polícia Federal. Nas publicações, internautas acusaram o ex-prefeito de adotar pesos diferentes para aliados e adversários.
No vídeo divulgado nas redes, Paes questionou diretamente: “Quem que anda com fuzil?”. A fala ganhou repercussão poucas horas depois da prisão de Márcio Canella, pré-candidato ao Senado, por porte ilegal de arma após uma ação da PF. A partir daí, adversários e usuários começaram a compartilhar novamente imagens e notícias antigas sobre a apreensão registrada na casa de Washington Reis.
Em 2022, Washington foi alvo de mandados de busca e apreensão na primeira fase da Operação Anáfora, investigação sobre supostos desvios de recursos públicos da área da Saúde em Duque de Caxias. Na ocasião, segundo as informações do caso, agentes apreenderam um fuzil calibre 5,56, além de munições e carregadores.
O episódio voltou ao centro do debate justamente porque Washington Reis mantém relação política próxima com o grupo de Eduardo Paes. Para críticos, a lembrança expõe uma contradição no discurso do ex-prefeito, que tem endurecido os ataques contra adversários envolvidos em operações policiais, mas seria mais cauteloso quando investigações alcançam nomes politicamente próximos.
A repercussão aumentou também porque uma nova fase da Operação Anáfora foi deflagrada recentemente. De acordo com as informações apresentadas sobre a investigação, Jane Reis, irmã de Washington e ligada ao projeto político de Paes, passou a ser citada nas apurações sobre o suposto esquema financeiro investigado pela PF. As responsabilidades ainda dependem do avanço das investigações e das decisões judiciais, com direito à ampla defesa dos envolvidos.
Já Márcio Canella foi preso nesta terça-feira após uma operação da Polícia Federal e a localização de um fuzil em seu veículo, segundo as informações divulgadas sobre o caso. A ocorrência foi usada por Paes para atacar o adversário e questionar publicamente a presença de armamento de uso restrito no ambiente político.
Nas redes sociais, entretanto, o debate rapidamente deixou de se concentrar apenas em Canella e passou a atingir o próprio Eduardo Paes. Publicações relembraram o caso de Washington Reis e questionaram por que o ex-prefeito não teria demonstrado a mesma contundência quando um aliado próximo apareceu envolvido em episódio semelhante.
A crítica se soma a uma sequência de embates de Paes com nomes como Márcio Canella, Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar. Para adversários do ex-prefeito, o episódio desta terça reforça a acusação de seletividade política: discurso duro contra opositores e silêncio ou cautela diante de aliados.
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