RIO DE JANEIRO — A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu os voos panorâmicos realizados por quatro empresas no Rio de Janeiro após identificar possíveis irregularidades durante uma fiscalização no setor. A medida foi anunciada nesta terça-feira (18), dez dias depois da queda de um helicóptero próximo à Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, que matou três turistas colombianas e o piloto.
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As empresas que tiveram as operações suspensas são Voo Rio Panorâmicos (VRP), Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly. A VRP era responsável pelo helicóptero Robinson R44, de prefixo PP-MFS, envolvido no acidente do dia 8.
Entre as irregularidades investigadas pela Anac estão possíveis fraudes em registros de diários de bordo, com suspeita de omissão de minutos de voos panorâmicos, além de problemas relacionados ao gerenciamento operacional das empresas e à manutenção das aeronaves.
Segundo a agência, 12 empresas tinham autorização para realizar voos turísticos na cidade. Até o momento, nove foram fiscalizadas, das quais quatro acabaram suspensas. Outras três ainda passarão pela fiscalização.
A inspeção também alcançou 18 aeronaves, sendo que nove tiveram as operações suspensas. Antes das medidas, a cidade possuía 46 helicópteros aptos para esse tipo de atividade.
A Anac informou que as fiscalizações serão intensificadas e terão caráter permanente. Empresas de táxi aéreo e de manutenção de aeronaves também deverão passar por inspeções.
Empresas também perdem acesso ao heliponto da Lagoa
Além das medidas adotadas pela Anac, a Prefeitura do Rio suspendeu a utilização do heliponto da Lagoa por cinco empresas: Be Faster Serviços Aéreos, Bal Harbour Holding Patrimonial, Nobre Turismo Aéreo, Infinity Serviços Aéreos e Voo Rio Panorâmicos (VRP).
Segundo a prefeitura, essas empresas possuíam termo de compromisso que permitia pousos no local, mas o documento não representava autorização para a realização de voos panorâmicos.
Com a mudança, apenas a Helisul continua realizando voos panorâmicos a partir do heliponto da Lagoa.
Acidentes deixaram 13 mortos em 2026
A fiscalização ocorre em meio a uma sequência de acidentes envolvendo helicópteros no estado. Somente em 2026, 13 pessoas morreram em três ocorrências.
O acidente mais recente ocorreu em 8 de agosto, quando o helicóptero da VRP caiu em uma área de mata próxima à Vista Chinesa e matou quatro pessoas.
Em junho, dois helicópteros colidiram no ar no Recreio dos Bandeirantes, deixando seis mortos. Em janeiro, outras três pessoas morreram após a queda de uma aeronave em Guaratiba, na Zona Oeste.
Diante do cenário, o Ministério Público Federal (MPF) pediu que os voos panorâmicos de helicóptero no Rio sejam limitados a um corredor aéreo sobre o mar já existente entre a Barra da Tijuca e o Arpoador.
Frota de helicópteros cresceu 29%
Dados da Associação Brasileira de Aviação Geral indicam que a frota de helicópteros no Rio passou de 247 aeronaves em 2023 para 319 em 2026, crescimento de aproximadamente 29%.
O volume de passeios turísticos também chama atenção. Dados apresentados pelo MPF apontam que aproximadamente 25 mil voos panorâmicos foram realizados no Rio em 2025, média próxima de 68 voos por dia.
Um levantamento da Aeronáutica, incluído em investigação do MPF, apontou ainda que 28% das aeronaves que operaram no Aeroporto de Jacarepaguá entre outubro de 2025 e abril de 2026 passaram abaixo da altitude mínima de 500 pés, cerca de 150 metros. Os helicópteros representaram 65% dos casos de descumprimento identificados.
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