RIO DE JANEIRO (RJ) — O jornalista Alex Escobar, de 51 anos, começa nesta segunda-feira (14) seu retorno gradual ao trabalho depois de enfrentar um período marcado pelo diagnóstico de uma doença autoimune rara e pela descoberta e retirada de um tumor no timo, glândula localizada no peito.
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Escobar descobriu que tem miastenia gravis depois de apresentar dificuldade para falar durante uma transmissão ao vivo nos Estados Unidos, onde participava da cobertura da Copa do Mundo. Antes do episódio, ele já havia percebido dificuldades para mastigar, que começaram cerca de dois meses antes da viagem.
Durante a participação ao vivo, o jornalista percebeu que não conseguia pronunciar algumas palavras. Escobar explicou posteriormente que permaneceu consciente durante todo o episódio e que a dificuldade estava relacionada aos sintomas da doença.
Após deixar a transmissão, ele foi levado a um hospital e permaneceu internado por dois dias. Os primeiros exames descartaram um acidente vascular cerebral (AVC). Ainda nos Estados Unidos, chegou a ser levantada a hipótese de esclerose múltipla.
Sem um diagnóstico definitivo, Escobar retornou sozinho ao Brasil.
“Eu peguei um avião sozinho, voltando para casa e no escuro. Eu não tinha a menor ideia do que eu tinha. Podia ser tudo”, contou.
Doença levou à descoberta de tumor
Já no Rio de Janeiro, o jornalista foi avaliado pelo neurologista Felipe Schmidt, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que levantou a suspeita de miastenia gravis. O diagnóstico foi posteriormente confirmado.
A doença é uma condição autoimune que afeta a comunicação entre nervos e músculos e pode provocar fraqueza muscular. Entre os sintomas estão dificuldades para mastigar, falar e engolir, além de alterações como pálpebra caída e visão dupla.
Durante a investigação médica, exames também identificaram um tumor no timo. Diante do quadro, Escobar passou por uma cirurgia para a retirada.
Ao falar sobre o período, o jornalista afirmou que passou a enxergar a descoberta da miastenia como decisiva para identificar o tumor.
“Eu fui salvo pelo gongo. O gongo se chama miastenia. Então, tudo que eu tenho passado de perrengue, eu passo agradecendo”, afirmou.
Escobar também relatou que, segundo seu neurologista, o tumor poderia representar um risco grave caso não tivesse sido descoberto. “Você tinha, acho, mais um ano de vida. Poderia morrer de infarto sem saber que tinha um tumor”, contou o jornalista ao reproduzir o que ouviu do médico.
Retorno será gradual
A retomada das atividades começa nesta segunda com a gravação de textos em off, ainda sem aparições diante das câmeras. Ao longo da semana, Escobar pretende gravar programas-piloto para avaliar como o organismo reage à rotina.
Caso a recuperação siga conforme o esperado, o jornalista espera voltar a aparecer na televisão no dia 21 de setembro.
O tratamento ainda passa por ajustes e os sintomas não desapareceram completamente. Por isso, Escobar reconhece que pode voltar a enfrentar momentaneamente uma dificuldade de fala durante uma transmissão ao vivo.
Ele pediu compreensão ao público caso isso aconteça.
“Eu só vou precisar de 30 segundinhos para que tudo volte ao normal. Então, não se assustem”, disse.
Segundo Escobar, a possibilidade de os sintomas aparecerem novamente não fará com que ele deixe as câmeras. A expectativa é que, com o ajuste da medicação, as manifestações da doença sejam controladas.
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