A mais recente pesquisa do Instituto Veritá sobre a corrida pelo Governo do Rio de Janeiro chamou atenção — e não apenas pelos números. O levantamento coloca Eduardo Paes (PSD) com 35,7%, praticamente empatado com Douglas Ruas (PL), que aparece com 34,2%.

O problema é que esse retrato está muito distante do cenário apresentado pelos demais levantamentos recentes registrados no TSE.
Na pesquisa Quaest, divulgada em 8 de setembro, Paes aparece com 39%, enquanto Douglas Ruas tem 18%. Já a Atlas/Estadão, divulgada dias antes, também apontava Paes na liderança e Ruas em segundo, mas com uma distância significativamente maior.
E aí vem a pergunta inevitável: por que o Veritá enxerga uma eleição praticamente empatada enquanto outros institutos mostram uma vantagem muito mais confortável para Paes?
Não é a primeira vez que o instituto entra no radar de questionamentos. Reportagem do Metrópoles publicada em agosto apontou que pesquisas do Veritá tiveram a divulgação proibida pela Justiça Eleitoral em 13 estados e no Distrito Federal ao longo de 2026, em processos que envolveram questionamentos sobre amostragem, metodologia, transparência e até alegações de indícios de fraude.
Entre os casos citados estão decisões judiciais apontando distorções na composição das amostras, falta de detalhamento sobre a seleção de entrevistados e problemas que dificultariam a fiscalização dos levantamentos. No Amazonas, por exemplo, uma análise mencionada pela reportagem encontrou registros duplicados em série que representariam 62% da amostra declarada. A Justiça Eleitoral considerou o padrão estatisticamente implausível.
Isso não significa, obviamente, que o resultado apresentado agora no Rio esteja automaticamente errado. Pesquisa eleitoral é fotografia, e não sentença. Mas, quando uma fotografia aparece completamente diferente de praticamente todas as outras, cabe ao eleitor fazer exatamente o que deveria fazer: questionar, comparar e olhar a metodologia.
O próprio Veritá contesta as críticas e afirma possuir metodologia sólida e histórico de acertos.
No Rio, portanto, o levantamento precisa ser recebido com cautela. Se Paes e Douglas Ruas estivessem realmente separados por apenas 1,5 ponto, seria uma mudança gigantesca em relação ao quadro mostrado por outros institutos.
Por enquanto, o dado mais seguro é que a pesquisa do Veritá destoou — e muito — do restante da fotografia eleitoral fluminense.
No fim das contas, quem vai tirar a prova não é o instituto. É a urna.
