De adversário a principal palanque: como Eduardo Paes se aproximou de Lula e virou aposta do PT no Rio

Redação
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RIO DE JANEIRO — A relação política entre Eduardo Paes (PSD) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem sempre foi de proximidade. Antes de aparecer como principal nome do campo lulista para a disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, o ex-prefeito do Rio já esteve em lado oposto ao do presidente, fez críticas duras ao petista e depois reconstruiu pontes que se tornaram estratégicas para ambos.

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A primeira grande aproximação eleitoral aconteceu em 2008, quando Paes, então candidato à Prefeitura do Rio pelo PMDB, recebeu apoio de Lula no segundo turno contra Fernando Gabeira. O gesto teve peso político porque, anos antes, durante o escândalo do mensalão, Paes havia feito críticas fortes ao então presidente. Na campanha municipal, o apoio de Lula ajudou a consolidar a aliança entre o grupo do então governador Sérgio Cabral e o candidato que acabaria eleito prefeito.

Depois da vitória de 2008, a relação entre os dois passou a ser marcada por pragmatismo político. Paes governava a capital, Lula estava no segundo mandato presidencial, e o Rio de Janeiro vivia um período de forte articulação entre prefeitura, governo estadual e governo federal, especialmente em torno de obras, grandes eventos e investimentos para a cidade.

Lula e virou aposta do PT no Rio

A convivência, no entanto, teve ruídos. Em 2016, uma conversa telefônica entre Paes e Lula, divulgada no contexto da Lava Jato, gerou desgaste público. Na ocasião, o então prefeito reconheceu que foi “infeliz” e de “extremo mau gosto” em falas feitas na conversa. O episódio provocou críticas, especialmente em Maricá, cidade citada de forma pejorativa no diálogo.

Mesmo com idas e vindas, a reaproximação ganhou força novamente em 2022. Na reta final da campanha presidencial, Eduardo Paes recebeu Lula na quadra da Portela, em Madureira, em um ato político com clima de carnaval e forte simbolismo popular. Naquele momento, Paes já comandava novamente a Prefeitura do Rio e se colocou publicamente ao lado do petista na disputa nacional.

O apoio de Paes a Lula em 2022 teve importância especial no Rio de Janeiro, estado onde o bolsonarismo mantinha força expressiva. O então prefeito da capital passou a atuar como uma ponte entre o petista e setores do centro político, além de ajudar Lula a circular por um eleitorado urbano, popular e moderado.

Em 2026, a aliança chegou a um novo patamar. Paes deixou a Prefeitura do Rio em 20 de março para disputar o Governo do Estado, passando o cargo ao vice Eduardo Cavaliere. A saída marcou oficialmente a entrada do ex-prefeito na corrida pelo Palácio Guanabara.

Poucas semanas depois, o PT do Rio aprovou apoio à candidatura de Eduardo Paes ao governo estadual. A legenda também indicou a deputada federal Benedita da Silva para o Senado na chapa, reforçando a tentativa de construir um palanque forte para Lula no estado.

Na prática, Paes virou o principal barco de Lula no Rio de Janeiro. Para o presidente, apoiar o ex-prefeito significa apostar em um nome conhecido, com força eleitoral na capital, experiência administrativa e capacidade de dialogar com partidos de centro. Para Paes, ter Lula ao lado ajuda a ampliar a base para além da cidade do Rio, principalmente em municípios onde o PT ainda mantém militância e presença social.

A aliança também tem cálculo eleitoral. Em 2018, Eduardo Paes já tentou ser governador, chegou ao segundo turno, mas perdeu para Wilson Witzel. Agora, em 2026, volta à disputa em outro cenário: com quatro mandatos de prefeito no currículo, sem estar mais no comando da capital e com o apoio formal do partido do presidente.

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