Moradores alertaram sobre voos irregulares semanas antes de acidente com helicópteros no Rio

Redação
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RIO DE JANEIRO — Um mês antes da colisão entre dois helicópteros que matou seis pessoas no Recreio dos Bandeirantes, moradores da Barra da Tijuca já haviam levado às autoridades uma série de preocupações sobre a segurança do tráfego aéreo na Zona Oeste do Rio.

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Em uma reunião realizada no dia 29 de maio com representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), moradores cobraram mais fiscalização sobre as aeronaves que circulam pela região e alertaram para a frequência de voos considerados irregulares.

Durante o encontro, dados apresentados pelo próprio Decea mostraram que cerca de 34% dos voos monitorados que partem do Aeroporto de Jacarepaguá descumprem as regras de altitude mínima estabelecidas para a área.

A situação, segundo os moradores, não é recente. Vídeos gravados por residentes mostram helicópteros sobrevoando áreas urbanas próximas a edifícios residenciais em diferentes horários do dia.

Para o presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, o problema se tornou parte da rotina da população local.

“Constantemente há voos rasantes, com barulho que atrapalha escolas, reuniões familiares e quem trabalha em casa”, afirmou.

Segundo o diretor da entidade, Paulo Samico, muitas aeronaves realizam operações ligadas ao setor offshore e passam muito próximas das áreas residenciais.

“São aeronaves que fazem um estrondo enorme e passam a uma distância muito baixa do solo, portanto muito próximas dos prédios”, disse.

Os moradores afirmam que o aumento do tráfego aéreo nos últimos anos motivou diversas reclamações encaminhadas aos órgãos responsáveis.

“Isso cresceu muito e nos levou até Brasília para reclamar. Não fomos ouvidos. Infelizmente, acabou se tornando essa tragédia”, declarou Delair.

Após a reunião realizada em maio, os deputados Hugo Leal e Cláudio Caiado, ambos do PSD, encaminharam ofícios à Anac e ao Decea pedindo esclarecimentos sobre as irregularidades identificadas, o monitoramento das aeronaves e as medidas adotadas para corrigir os problemas.

O documento menciona justamente os índices de descumprimento de altitude apresentados pelo próprio Decea durante o encontro.

O sistema utilizado para monitorar essas irregularidades foi implantado no Aeroporto de Jacarepaguá no ano passado, após anos de reclamações de moradores. Para a comunidade, porém, os dados levantados não resultaram em medidas práticas.

“A fiscalização existe, o controle passou a ser feito, mas nenhuma medida concreta foi tomada”, afirmou Delair.

Uma nova reunião entre moradores, representantes da Aeronáutica, do Decea e da Prefeitura do Rio está marcada para a próxima semana. O objetivo será discutir ações voltadas para aumentar a segurança das operações aéreas na região.

Enquanto isso, as investigações sobre o acidente continuam. A Polícia Civil aguarda os laudos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) para esclarecer as causas da colisão.

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