7 anos da morte de João Gilberto

Redação
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Interrompendo a série de inserções sobre a corrida presidencial — uma ‘espécie’ de frescor acerca das matérias políticas a que se dedica esta página — o espaço reproduz texto publicado no primeiro ano da morte de João Gilberto, revisitando a homenagem prestada ao grande artista que teria completado 95 anos em 10 de junho passado. 

Nesta semana (segunda-feira, 06) completa sete anos da morte do compositor e cantor João Gilberto — gênio modernizador da música brasileira e criador da Bossa Nova. Inserir João na condição de único, não é exagero. Afinal, entre tantos nomes que inovaram a música brasileira e a levaram além-fronteiras, só ele revolucionou a maneira de cantar, criou um novo estilo e uma batida diferente de tocar o violão.  

O que ele inventou, tecnicamente falando, é difícil definir. Nas palavras do jornalista Mauro Ferreira, João colocou o jazz dentro do samba. “Ele minimizou a cadência do samba nas cordas do violão – na tal batida que depurou por anos”.  

Logo, mesmo considerando Ary Barroso outro gênio, João Gilberto era diferente. Era ele, terno e gravata; banquinho e violão. E só. Não bastasse ter criado a Bossa Nova, o baiano influenciou uma fila dos maiores nomes da MPB, entre eles Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Elis Regina, Djavan, Caetano Veloso e outros tantos.  

Reconhecido
como gênio da
MPB, João
Gilberto foi além:
ele inventou um
gênero musical

Em 1958, ao lançar Chega de Saudades, João Gilberto deu os primeiros passos de uma carreira extraordinária e, como poucos, colocou a MPB no mapa-múndi. Excursionou pela Europa, apresentou-se em festivais do Canadá, Japão e Alemanha e morou por quase 20 anos em Nova York.  

De volta ao Brasil, lotou todas as poucas apresentações que fez – nem sempre cumpriu os compromissos – era excêntrico, imprevisível e surpreendente; perfeccionista e intransigente para com a qualidade do som e o silêncio da plateia.   

João passou longe do que se entende por normal. Era gênio. E gênio não segue padrões, protocolos, rotinas, costumes, horários ou modismo. Se fosse diferente, não seria gênio.  

Os últimos anos de vida lhe foram difíceis. Muitos processos, problemas familiares, interdição, perda do vigor físico e até despejo de onde morava. Foi viver na Gávea, num apartamento emprestado por um amigo.  

Como o Brasil, costumeiramente, não reconhece e não acolhe suas figuras mais ilustres, a indústria da música, as gravadoras, o segmento artístico, a televisão ou o governo não estenderam a mão àquele que deixou para o povo brasileiro legado artístico sem igual na história da música. 

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