RIO DE JANEIRO — O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) formou, nesta sexta-feira (11), maioria pelo indeferimento do registro de candidatura de João Felipe Drumond Espindola de Freitas (PRD), que disputa uma vaga de deputado estadual nas eleições de 2026.
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João Drumond é neto de Luizinho Drumond, nome historicamente ligado ao jogo do bicho no Rio e que foi presidente de honra da Imperatriz Leopoldinense. O Ministério Público Eleitoral já havia apresentado ação para impedir o registro da candidatura, sustentando a existência de elementos que, segundo o órgão, ultrapassariam o simples vínculo familiar. O processo é o 0600650-53.2026.6.19.0000.
Durante o julgamento desta sexta-feira, o entendimento que formou maioria foi de que o caso não deveria ser analisado apenas a partir do parentesco de João com integrantes da família Drumond.
Segundo as informações apresentadas durante a sessão, o material reunido pelo Ministério Público inclui dados obtidos em celulares compartilhados pelo Gaeco e pelo Ministério Público Federal no contexto da Operação Trampo.
Grupos de WhatsApp entraram na análise
Entre os elementos mencionados no julgamento aparecem grupos de WhatsApp relacionados à organização da campanha de João Drumond.
Foram citados grupos como “Agenda, deputado estadual João Drumond”, “Coordenação // JD” e “Evento Família JD”.
De acordo com o voto apresentado pelo desembargador Guilherme Calmon, o conteúdo analisado indicaria participação organizada de pessoas investigadas por ligação com a contravenção em estruturas destinadas à coordenação da candidatura.
O magistrado classificou o conjunto de elementos como uma “inserção ativa orgânica e funcional” de João Drumond em uma estrutura que, na avaliação apresentada no julgamento, estaria vinculada a interesses da cúpula da contravenção.
A conclusão representa o entendimento judicial dentro do processo de registro eleitoral e não equivale, por si só, a uma condenação criminal de João Drumond.
Ministério Público já havia pedido impugnação
A candidatura de João Drumond já vinha sendo questionada pelo Ministério Público Eleitoral desde agosto.
Na ação, o órgão apontou investigações sobre possíveis vínculos do candidato com pessoas ligadas ao jogo do bicho e ao crime organizado. O Ministério Público sustentou que o conjunto de circunstâncias envolvendo relações familiares, posição ocupada na Imperatriz Leopoldinense, atuação territorial e contatos investigados deveria ser considerado pela Justiça Eleitoral.
João Drumond, por sua vez, já declarou anteriormente que não possui envolvimento com o jogo do bicho nem com organizações criminosas.
Situação ainda pode ter recurso
A formação de maioria no TRE-RJ representa um revés para a candidatura, mas decisões de registro eleitoral ainda podem ser objeto de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme ocorre em outros processos semelhantes julgados pela Corte fluminense.
Até a atualização mais recente disponível em sistemas que reproduzem os dados oficiais do TSE, o registro de João ainda aparecia como “aguardando julgamento”, situação que pode ser alterada após a incorporação formal da decisão ao sistema eleitoral.
João Drumond concorre pelo PRD, com o número 25777, ao cargo de deputado estadual no Rio de Janeiro.
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